High on Life 2 | Xbox Series S

High on Life 2 vale a pena? Leia nosso review completo da sequência da Squanch Games
Arte promocional de High on Life 2 mostra o protagonista realizando uma manobra de skate no ar enquanto dispara armas alienígenas falantes contra um monstro gigante de um olho só. O cenário é uma cidade futurista vibrante e colorida, com prédios detalhados e o logotipo da corporação Rhea Pharmaceuticals ao fundo. O personagem veste um traje espacial cinza com detalhes verdes e um capacete roxo, ilustrando a nova mecânica de movimentação e o combate dinâmico da sequência.

High on Life 2 chega com a difícil missão de superar um dos títulos mais peculiares de 2022. O primeiro jogo conquistou jogadores pelo humor e personalidade, mesmo tropeçando em falhas técnicas e ritmo irregular. Agora, a Squanch Games retorna refinando a fórmula e entregando uma sequência que não apenas corrige seus erros, mas transforma o caos em arte.

De Caçador a Fora da Lei

A trama salta alguns anos no tempo. O protagonista, que vivia aproveitando a vida após a vitória contra o cartel G3, vê tudo virar de cabeça para baixo. A nova ameaça não é um cartel de drogas, mas sim a Rhea Pharmaceuticals, uma megacorporação que planeja transformar a humanidade em gado para experimentos medicinais.

O roteiro é bastante audacioso. Sua irmã, Lizzie, agora está envolvida com grupos revolucionários, e uma missão de resgate acaba colocando um preço na cabeça do nosso herói. Deixamos de ser o caçador para nos tornarmos o alvo número um da galáxia. É uma ideia que funciona bem para justificar a urgência e o ritmo acelerado da campanha, que dura cerca de dez horas.

O Skate

A maior revolução da jogabilidade, não está aqui no texto, mas nos pés do protagonista. A introdução de uma mecânica de skate redefiniu completamente como exploramos e lutamos. Esqueça a movimentação lenta do primeiro jogo.

O jogo incentiva o fluxo contínuo. Você pode realizar manobras, deslizar em corrimãos e andar pelas paredes enquanto dispara contra os alienígenas. Pode parecer uma mistura arriscada, mas na prática se tornou a alma do jogo. A verticalidade dos mapas, que agora funcionam como grandes áreas abertas interconectadas, foi desenhada pensando nessa mobilidade.

Um arsenal que fala

O combate deixou de ser estático. As armas falantes, retornam com novos integrantes. Além dos clássicos, somos apresentados a figuras como Travis, uma pistola que atira granadas e que sofre com um divórcio recente, e o Coldre, uma submetralhadora que dispara lanças de choque.

Cada arma possui habilidades secundárias que funcionam com um tempo de recarga, exigindo que o jogador alterne entre elas estrategicamente. Há até espaço para o absurdo total, como uma granada contendo seu meio-irmão.

Essa variedade impede que o tiroteio se torne repetitivo, algo que foi muito criticado no título anterior. As lutas contra chefes também evoluíram drasticamente, exigindo leitura de padrões e uso inteligente das mecânicas de movimento, em vez de serem apenas esponjas de bala.

Humor e Localização

Uma grande dúvida pairava sobre o tom do jogo, felizmente, a essência permanece, mas de forma mais madura. O humor continua ácido e cheio de referências à cultura pop.

Para nós brasileiros, a notícia é excelente: o jogo conta com localização em PT-BR, o que torna as piadas e o contexto muito mais engraçados. E para quem se cansava com a tagarelice constante das armas, as opções de configuração permitem reduzir a frequência dos diálogos, uma lição aprendida.

O Mundo

High on Life 2 surpreende pela quantidade de coisas para fazer. O jogo não é apenas atirar e andar de skate. As missões secundárias são bem criativas. Em um momento você está resolvendo um mistério de assassinato, coletando pistas e interrogando NPCs, e no outro, está participando de desafios de pontuação de skate.

Os NPCs reagem ao que você faz, e o mundo parece mais orgânico e reativo do que antes.
Nem tudo são flores

Apesar da qualidade em geral, o jogo tropeça na parte técnica. Durante a gameplay, é muito comum encontrar quedas de FPS, especialmente quando a velocidade do skate aumenta. Alguns bugs visuais, armas desaparecendo das mãos, personagens em posição básica (T-POSE).

Outro ponto que pode frustrar é a explicação de alguns quebra-cabeças, que por vezes são confusos. Embora nada disso quebre a experiência geral.

High on Life 2

High on Life 2 é a prova de que a Squanch Games ouviu os jogadores. Eles pegaram a base do original, jogaram fora o que era chato e injetaram adrenalina pura, ainda mais com o Skate. É um jogo que leva a diversão muito a sério.

Se você gostou do primeiro, vai amar este. Se não gostou, este aqui tem argumentos o suficiente para te convencer a dar uma segunda chance. É caótico e estúpido da melhor maneira possível e, acima de tudo, extremamente divertido.

8