Scott Pilgrim EX | PS5

Scott Pilgrim EX celebra os videogames com pixel art, trilha sonora marcante e ação beat 'em up envolvente, mas peca na variedade de fases

Scott Pilgrim foi uma adaptação dos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, e essa adaptação deu origem ao game Scott Pilgrim vs. The World. Mas não foi tudo tão simples assim. Antes de falar sobre o jogo, quero trazer um pouco sobre o desenvolvimento conturbado por trás da origem de Scott Pilgrim.​

O jogo teve diversos conflitos criativos. O game de 2010 foi desenvolvido pela Ubisoft Montreal, que, na época, estava focada em jogos de grande escopo, como Assassin’s Creed. Enquanto uma parte da equipe queria fazer algo maior e em 3D, a outra queria algo mais próximo ao estilo dos quadrinhos. No fim, a versão retrô venceu, mas teve seu orçamento bem limitado.​

A meta era lançar o jogo junto ao filme e isso, é claro, trouxe pressão ao desenvolvimento. O game chegou ao mercado com diversos bugs no modo online e não foi um superlançamento no começo. Porém, com o tempo, virou um sucesso cult e foi abraçado pelos fãs.​

O drama de direitos autorais​

Toda a parte de direitos autorais de Scott Pilgrim foi bem conturbada, porque envolvia os direitos dos quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, os direitos do filme da Universal Pictures e a publicação da Ubisoft.​

Em 2014, o game foi retirado das lojas da PSN e do Xbox por conta do contrato expirado, no qual não houve renovação automática justamente por causa de toda essa burocracia que envolvia os direitos do jogo.​

Scott Pilgrim ficou “perdido” por muitos anos. A comunidade se comoveu e criou protestos online pedindo a volta do game. Só em 2021 o jogo retornou às lojas, muito por conta da pressão dos fãs e do apoio do escritor original.​

Um novo ciclo para Scott Pilgrim

Após o lançamento do game em 2010, parte da equipe original saiu e fundou seu próprio estúdio, a Tribute Games, que continuou lançando jogos de menor escopo no estilo pixel art.​

E, para surpresa de todos, a Tribute Games voltou com o anúncio de um novo jogo: Scott Pilgrim EX. Com uma nova licença, o estúdio teve total liberdade criativa para desenvolver o projeto.​

Ainda mantendo o DNA do game original, porém não necessariamente como uma sequência direta, o novo título traz uma história original, mas preserva elementos clássicos, como sua estrutura beat ’em up 2D e o estilo retrô em pixel art.​

Mas afinal, o game é bom?

Scott Pilgrim agora tem mais orçamento, mais experiência da equipe e total liberdade criativa. Mas será que a Tribute Games conseguiu superar sua obra original?​

Ambos os jogos possuem a mesma fórmula, com sua gameplay beat ’em up misturada com alguns elementos de RPG. O que muda agora é um mundo menos linear, com sete personagens jogáveis, cada um oferecendo um final diferente.​

O jogo começa logo na seleção de personagem. Cada um possui um set de habilidades único e um conjunto de status que faz mais sentido para o perfil escolhido. Assim que a história começa, o game se abre em um mapa que funciona de maneira parecida com o estilo metroidvania: áreas interconectadas, com partes que só são liberadas ao adquirir novos poderes e habilidades diferentes.​

Cada inimigo derrotado gera moedas. Essas moedas servem para comprar itens com diversas funções. Eles podem tanto recuperar sua vida quanto oferecer melhorias que aumentam seus status de forma permanente.​

Scott Pilgrim e seu amor por videogames

Scott Pilgrim sempre foi cheio de referências e homenagens à cultura pop, e aqui não foi diferente. Dá para ver que a equipe teve muito cuidado e carinho na produção do game. Seu estilo pixel art retrô tem um charme muito único, que remete a uma época que não volta mais.​

Também temos a composição da trilha sonora, feita pelo ilustre Anamanaguchi, que já havia trabalhado no jogo anterior. E afirmo com toda certeza: a trilha sonora aqui está impecável. Ela traz aquela vibe de videogame retrô 8-bit, com uma pitada muito charmosa de rock.​

Além de toda essa estética retrô, o jogo me deixou de boca aberta com suas inúmeras homenagens à cultura pop. Uma das partes em que mais me diverti em Scott Pilgrim foi justamente perceber essas referências. O jogo é repleto de menções à Nintendo, Resident Evil, Castlevania e centenas de outras referências. Se você é o tipo de jogador que presta atenção nos detalhes, vai se divertir demais caçando cada uma delas.​

Scott Pilgrim EX: bom, mas não perfeito

Scott Pilgrim é lindo e ainda mantém muito do charme que tinha seu antecessor. O problema, para mim, é que faltou um pouco mais de variedade. A sensação que tive era de passar muito tempo no mesmo lugar. Faltou mais diversidade de fases, ainda mais porque o jogador retorna com frequência às áreas do começo.​

Isso sem contar que o jogo é extremamente curto, sendo possível terminá-lo em até duas horas no primeiro playthrough. Eu também não consegui me conectar muito com a história aqui. No jogo anterior, eu me divertia mais derrotando um EX malvado por fase.​

Isso não diminui os pontos positivos do game, mas a falta de variedade acabou não me impulsionando muito para o fator replay.​

Mas qual é o veredito?

Scott Pilgrim é um game muito charmoso. Ele pega muito do que já funcionava no jogo original e traduz isso aqui. Algumas coisas funcionam muito bem, outras nem tanto.​

Porém, ele é um excelente game para jogar em coop com seus amigos. A gameplay é muito divertida e o jogo é lindo de assistir. O maior defeito está na falta de variedade de fases e na repetição. Tirando isso, o game é visualmente incrível, a trilha sonora é impecável e provavelmente você vai se apaixonar por todas as referências nostálgicas espalhadas pelo jogo.​

Scott Pilgrim deixa a desejar em alguns pontos, mas ainda é uma ótima experiência para se divertir com os amigos, principalmente por causa da sua gameplay envolvente.