A história
Você joga como Hugh, um explorador enviado com a sua tripulação para investigar uma estação de pesquisa lunar após a perda total de contato com a Terra. Após um abalo sísmico que o separa do seu grupo, Hugh conhece Diana, uma “Pragmata” (um androide altamente avançado com aparência humana).
O jogo se passa em um futuro próximo, onde a humanidade dominou o “lunafilamento”, que tem a capacidade de replicar qualquer objeto através de diagramas. Pense em uma impressora 3D gigante que usa como matéria-prima esse lunafilamento.
O foco central da narrativa é a evolução da relação entre Hugh e Diana. Embora Hugh comece a jornada cético em relação a inteligências artificiais, os dois tornam-se inseparáveis, desenvolvendo um laço emocional que muitos críticos comparam à dinâmica de “pai e filha”.
De certa forma, você também controla a Diana, pois ela tem um papel fundamental na dinâmica da gameplay, sobre a qual falaremos mais adiante. A história baseia-se em Hugh tentando entender o que aconteceu na base lunar e voltar para a Terra.
A Diana é supercarismática, uma fofa, e a relação entre eles é muito legal sem ser chata. Ela tem tiradas sensacionais sobre as coisas que vai descobrindo sobre a Terra e sobre os humanos. Como sou pai de menina, fica aqui um adendo: posso ter sido tendencioso na minha análise do jogo, pois foi bem emocionante. Não gosto e não vou falar muito aqui da história para não dar spoilers ou estragar a sua experiência.
Gameplay
Pragmata é um jogo de ação e ficção científica. Grosseiramente, poderíamos até dizer que é um jogo de tiro, mas a dinâmica cooperativa entre o Hugh e a Diana torna tudo diferente, inovador e divertido.
Basicamente, funciona assim: os inimigos que você vai encontrar são seres robóticos com estruturas fortes, que não recebem danos das armas do Hugh. Nesse momento é que entra a Diana. Ela tem a capacidade de hackear os inimigos, expondo seus pontos fracos para que o Hugh acerte com as armas.

O mecanismo de hackear é bem divertido e variado. Com a progressão do jogo, ele vai se tornando mais complexo e tudo acontece com a ação rolando, o que é bem prazeroso. Hugh, portanto, não consegue fazer nada sem a Diana. E isso vai criar o relacionamento deles: inicialmente por necessidade, e depois pela fofura dela que vai conquistando-o.
Ela é super inocente e fala coisas muito fofas e divertidas. Ela dá dicas do que fazer, alerta sobre os perigos e comemora os hacks bem-sucedidos. Por exemplo, se você pega um Mod que melhora a potência dos hacks, ela pode falar algo do tipo: “Com este Mod, meus hacks ficam mais poderosos”.
Achei até que exageraram um pouco, pois há situações em que você nem tem tempo de pensar e ela já está dando dicas. Poderiam ter dado um tempo maior antes das sugestões. O level design é muito competente e, se você quiser apenas ir em direção ao objetivo da missão, ele é relativamente linear. Entretanto, vale muito a pena explorar para pegar os coletáveis e itens de upgrade de firmware para o traje do Hugh e o hack da Diana.
Quem me conhece sabe que odeio coletáveis, mas nesse jogo fiz 100% em todas as fases; inclusive, voltei em várias que dependiam de poderes que a Diana adquire mais tarde no jogo. A cada coletável, a Diana sempre soltava algo engraçado e fofo. O mundo acabando e ela se divertindo. É ótimo.

A exploração também trará várias informações relevantes para a lore do jogo. A progressão é muito bem executada, com as mecânicas, complexidade e dificuldade aumentando ao longo do jogo. Joguei no “normal” e foi bem tranquilo em termos de dificuldade. Para o meu gosto, o desafio foi bom: tive que me esforçar, morri algumas vezes, mas o progresso foi constante.
Ao final de cada fase, você retorna para o abrigo, que é o local onde você melhora suas armas, armadura e o hack da Diana, além de montar os cenários com peças de memórias da Terra. No abrigo, também, você interage com a Diana, gasta as moedas Cabin e pode fazer os treinamentos.
Se a dificuldade do jogo foi boa, os treinamentos foram de arrancar os cabelos. Dos trinta disponíveis, só consegui a coroa de fazer todos os requisitos em uns seis ou sete. Nos demais, ou não consegui concluir, ou concluía, mas falhava em alguma coisa e não alcançava a perfeição. Ao finalizar o jogo, libera-se a dificuldade lunática, obrigatória para quem quer platinar. Se há uma coisa a reclamar da gameplay é que a variedade de inimigos é relativamente pequena. Fora isso, adorei tudo.
Aspectos técnicos
Joguei no PlayStation 5 Pro e achei sensacional. O jogo roda a 60 quadros por segundo e ainda tem a opção de taxa alta de quadros para quem tem TV de 120 fps e VRR, mas que perde um pouco a qualidade. Não vi necessidade de jogar nesse modo. Achei os gráficos lindos, mesmo sem o Path Tracing que tem no PC. Há, inclusive, quem diga que está melhor sem PT do que com.

A trilha sonora é ótima e cria uma excelente atmosfera. A ambientação do jogo está sensacional, com a base lunar, vários pontos de visão da Terra e a cópia da cidade de Nova York na Lua. Tudo incrível, com reflexos bonitos. Aliás, como o jogo tem muito metal e vidro, os reflexos são muito bem explorados.
Os detalhes das animações, o barulho dos pezinhos da Diana andando no abrigo; tudo foi muito bem-feito e demonstra o carinho que a Capcom teve com cada detalhe do jogo. O som posicional 3D também está perfeito, facilitando encontrar coletáveis e se guiar nas batalhas. Um dos coletáveis é a coleção de bonecos Cabin. Eles fazem um barulho e estão geralmente escondidos. Com o fone de ouvido, você consegue identificar perfeitamente de onde vem o som.

E a dublagem, pessoal? Sem comentários. É simplesmente sensacional. Tudo bem localizado, com gírias e expressões do português do Brasil que nenhuma IA conseguiria fazer com essa qualidade. As interpretações do Hugh e da Diana estão realmente incríveis.
Veredito
Levei 22 horas para finalizar a história e muitos treinamentos em Pragmata. Fiz o 100% em todas as fases. Se focasse apenas na história, acho que fecharia em 19 horas. Se for platinar, pode colocar algo para mais de 50 horas; é um palpite.

Para mim, é o GOTY (Game of the Year) até o momento. A gameplay é gostosa e envolvente, os personagens são carismáticos e a Diana é uma das figuras mais fofas da história recente dos jogos. É importante dizer que Pragmata não é mundo aberto nem tem mapas enormes; se essas coisas são fundamentais para você, talvez não seja um jogo de que goste.
Pragmata é um jogo de ação com uma história interessante, lindo visualmente, com uma gameplay divertida e que entrega tudo o que promete. Parabéns à Capcom! Jogaço.
