Conheça Willow! A voz de Creek em Fire Emblem: Fortune’s Weave!

Entrevista exclusiva com Willow Engel, a voz de Creek em Fire Emblem: Fortune's Weave! Descubra segredos da dublagem e sua visão sobre a IA

Primeiramente, gostaria de agradecer a oportunidade da nossa amiga, que foi extremamente cordial e muito gentil para nos garantir essa entrevista. Peço desculpas a todos por estar muito eufórico no áudio, é que fiquei feliz pela oportunidade, e Fire Emblem é uma das minhas franquias favoritas atualmente, então bora lá!

Para facilitar a leitura da entrevista:
Willow – W
Griffith – G

Entrevista em áudio (Inglês)

Entrevista escrita

G – E aí, galera da Safe Zone! A gente está fazendo uma entrevista com a Willow, a Willow que o user dela vai estar aqui também no nosso site para vocês a conhecerem. Ela é a atriz que é a voz de Creek do Fire Emblem: Fortune’s Weave e vários outros jogos bem interessantes aí, inclusive do Elliott, tá? Então a gente vai fazer uma entrevista aqui em inglês, né, ela mora aqui nos Estados Unidos, mas a gente vai traduzir ali para vocês também a entrevista. Muito bem, bora começar!

G – Primeiramente, pode nos contar um pouco mais sobre você?

W – Claro, uh, olá, me chamo Willow Engel, eu faço a voz de Creek no Fire Emblem. Uh, sou uma dubladora trans. Uh, eu amo, meu negócio, meu maior interesse é: Bionicles (LEGO). Uh, amo Bionicles. Uh, eu amo histórias, escrever e atuar. E, uh, sou uma grande fã de montanhas-russas e animais também.

G – Oh, isso é incrível, foi uma apresentação muito, muito boa. A propósito, vou aproveitar para te perguntar uma coisa. Quando eu estava dando uma olhada no seu perfil no X, vi que você já deu voz a outros personagens de outras franquias, e um deles realmente chamou a minha atenção: o Eugene, do jogo Elliott! Inclusive, eu acabei de comprar o jogo para o meu Nintendo Switch também. Vou jogá-lo assim que tiver tempo, mas fiquei muito curioso, porque você deu voz a vários personagens muito interessantes. Tem um de FANTASIAN Neo Dimension também. Então, são muitos personagens muito legais de jogos que, bem… a maioria dos meus amigos gosta bastante. É uma experiência muito bacana, aliás. É incrível!

W – Oh, obrigada! É verdade, eu dou voz a muitos personagens verdes. Não sei bem por quê, mas aceito de boas!

G – Será que é o destino, talvez? Muito bem. Mas agora preciso te perguntar: como você começou na atuação de voz?

W – Nossa, definitivamente foi uma longa jornada. Eu atuo praticamente desde a minha infância. Fiz principalmente teatro, mas videogames, animações e animes eram meio que os meus amigos enquanto eu crescia, porque eu não era exatamente a criança mais sociável. Mas, eventualmente, depois de terminar o ensino médio, eu me senti meio sem rumo. Eu nunca tinha sequer considerado que a atuação de voz poderia ser uma profissão, até que fui à minha primeira Comic Con e participei de um painel com dubladores, e aí tudo meio que fez sentido. Eu pensei: “Espera aí, por que eu não tenho feito isso esse tempo todo?” Então, desde aquela época, venho fazendo testes, participando de aulas e tentando me divulgar e conseguir oportunidades. Isso foi há, acho, uns 10 anos, então agora estou comemorando meu aniversário de 10 anos na atuação de voz.

G – Uau, 10 anos já!

W – O tempo voa mesmo, não é?

G – Não, não diga isso. Aliás, a próxima pergunta meio que se conecta bastante com a anterior, porque eu estava prestes a te perguntar justamente isso: quão difícil é conseguir trabalho nessa área? Sabe, dar voz e vida a um personagem. Quão difícil é?

W – Um, hum, definitivamente não é fácil. Mas vale muito a pena, 100%. Eu não mudaria isso por nada no mundo. Sabe, existem muitas pessoas talentosas por aí fazendo testes e se colocando no mercado. É uma indústria muito competitiva. Então, muitas vezes, acaba sendo uma questão de estar no lugar certo, na hora certa, ou de eles gostarem mais da forma como você interpretou uma fala específica em comparação com outra pessoa. Então, é difícil, eu acho, quantificar o quão difícil é, por causa de todas essas variáveis envolvidas. Definitivamente foi difícil chegar onde estou hoje, mas também sou extremamente grata por estar onde estou agora. Acho que, há 10 anos, eu nunca imaginaria que estaria aqui. Então, tudo o que aconteceu desde aquela época até agora valeu a pena, eu diria.

G – Ah, isso é realmente muito legal de ouvir. E, aliás, pela forma como você colocou as coisas, pelo menos para mim, parece que é algo muito específico. Às vezes depende do momento, sabe? De quais são as necessidades do estúdio, talvez, ou sei lá. Parece que existem muitos fatores específicos envolvidos. Uau.

W – Sim, definitivamente são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, é preciso equilibrar muita coisa. E, como eu disse, é difícil quantificar o que é necessário para alcançar o sucesso, porque às vezes você dá a melhor atuação da sua vida em um teste, e eles dizem: “Incrível, nós adoramos!”, mas vamos escolher essa outra pessoa porque ela se encaixa mais no que estávamos imaginando. E essa é simplesmente a natureza dessa indústria.

G – Uau, isso parece difícil. Mas, como comentamos no início da conversa, você já trabalhou em vários outros projetos, como jogos muito bem-sucedidos. Então, acho que você já pegou o jeito, sabe? Acho que você é muito talentosa, então acredito que esteja tudo bem. Na minha opinião, você está muito bem encaminhada e segura nessa área. Aliás, agora estou um pouco ansioso para falar sobre o jogo de Fire Emblem. Mas, antes disso, permita-me perguntar: como você se envolveu com o projeto de Fire Emblem? Como tudo isso aconteceu?

W – Sim, então, foi um teste como qualquer outro. Muitas vezes, testes para projetos de maior destaque são feitos usando nomes de código, e esse definitivamente era o caso. Então, para mim, era apenas mais um projeto para o qual eu estava fazendo um teste. Aí recebi um e-mail dizendo: “Ei, gostaríamos de ter você neste projeto, venha ao estúdio.” Então, até o momento em que entrei no estúdio, eu não fazia ideia no que estava trabalhando.

G – Ah, então é como se fosse um segredo… Você só sabe que eles querem trabalhar com você em alguma coisa, mas eles nunca dizem o nome do projeto, nem nada? É algo realmente muito secreto?

W – Sim, algo muito, muito secreto, o que é totalmente compreensível porque, sabe, Fire Emblem é algo muito grande. Mas, sim, obviamente isso varia de trabalho para trabalho, mas, neste caso, foi tudo muito sigiloso. E quando me chamaram para o estúdio, eles disseram: “Então, este é o novo Fire Emblem”, e eu precisei de alguns segundos para processar aquilo, porque fiquei tipo: “Espera aí, o quê? Não, não. Isso não pode ser… O quê, o quê?”

G – Muito legal!

W – Sim, eu sou uma grande fã de Fire Emblem. Path of Radiance é um dos meus jogos favoritos de todos os tempos. Eu sempre jogava com o Ike no Smash Bros. Então, a franquia tem sido uma parte muito importante da minha vida. E quando soube que teria a oportunidade de fazer parte dela, foi tipo: “Meu Deus, isso é um sonho se tornando realidade.”

G – Uau, é muito legal ouvir isso. Aliás, Path of Radiance é um jogo que está no meu radar também. Estou comprando alguns jogos de Fire Emblem que eu tinha em formato digital, mas também quero tê-los na versão física. Já tenho vários deles, mas Path of Radiance, pelo menos aqui onde moro, no Brasil, costuma ser muito caro, sabe? Mas algum dia eu vou conseguir. Vou encontrar uma maneira. Eu realmente quero jogar esse jogo. Aliás, só por curiosidade, o meu favorito é Three Houses. Foi o primeiro que joguei e, para mim, desde o dia em que joguei, ele continua sendo o meu jogo favorito da Nintendo de todos os tempos. Eu realmente amo esse jogo.

W – Justo, qual rota você escolheu na primeira vez que jogou?

G – A primeira vez foi com o Dimitri.

W – Hey, eu também, boa!

G – Eu pensei: “Esse cara é legal”, porque, bem, preciso confessar uma coisa aqui. Eu estava pesquisando sobre Fire Emblem, procurando algumas coisas, e vi que ele tinha tipo uma venda em um dos olhos. Aí pensei: “Bom, é esse cara”. Foi isso, foi por isso que eu o escolhi. Mas, na minha segunda jogatina, eu joguei com a Edelgard. Então eu sei que os dois têm uma certa rivalidade, sabe? Mas tudo bem. Tudo bem, foi muito bom saber disso. É incrível. Path of Radiance, é claro, é um dos que eu vou jogar eventualmente. É muito legal saber que você jogou, incrível. Mas, enfim… agora vamos voltar à entrevista, desculpa. Estou muito empolgado! Então, na sua opinião, qual é a parte mais difícil da atuação de voz?

W – Eu diria que, quando você está dentro da cabine, é definitivamente encontrar maneiras de deixar a sua interpretação mais interessante. A atuação de voz é algo único porque, no teatro, você usa o corpo inteiro. No cinema, você também usa o corpo inteiro. Já na atuação de voz, você tem essa pequena… coisa aqui na sua garganta que produz os sons. Então, especialmente quando eu estava começando a fazer a transição do teatro e do cinema para a atuação de voz, eu definitivamente precisei colocar na cabeça que, sabe, grande parte do que as pessoas vão perceber de você é apenas a sua voz. Elas vão estar vendo alguém animado ou, no caso de dublagens em live-action, alguém fazendo uma atuação completamente diferente. Então, principalmente no começo, foi difícil descobrir como transmitir, usando apenas a minha voz, interpretações que eu costumava fazer no teatro. Sabe, os melhores atores de voz conseguem interpretar até mesmo personagens mais monótonos, transmitindo um toque de tristeza ou esperança apenas através da voz. Então, definitivamente, foi algo em que precisei trabalhar bastante. Mas também é muito gratificante. Sabe, nada que é realmente bom vem fácil, então eu gosto do desafio. Gosto de descobrir: “Bom, esse é um personagem. Como vou dar vida a ele, mesmo que seja apenas neste teste?”

G – Isso é incrível. E, aliás, agora que você falou isso, eu sei que já fiz a pergunta, mas fiquei pensando em uma coisa. Vamos supor que você esteja trabalhando, fazendo seu trabalho, falando e dando vida à personagem, e, de repente, você simplesmente esqueça o que ia dizer. Isso é algo que te deixa um pouco apreensiva durante o trabalho? Vamos imaginar que você esteja em um momento muito importante. É claro que você pode fazer de novo, imagino, mas fico pensando se isso não é algo que pode acontecer de vez em quando. Talvez a pergunta que eu queira fazer seja a seguinte: imagine que te dão um personagem muito, muito difícil de interpretar em um jogo, alguém que seja realmente complicado de dar vida. Vamos usar Creek como exemplo. Se te dessem um personagem como esse, você acha que existiria alguma possibilidade de, de alguma forma, esse personagem ser impossível de interpretar? De ser alguém que você simplesmente não conseguiria dar vida? Ou você acha que, de alguma maneira, conseguiria se adaptar e encontrar uma forma de tornar essa personagem mais fácil para você interpretar? Não sei se a minha pergunta ficou realmente clara, porque acho que eu simplesmente fui falando, falando e falando…

W – Sim, entendi. É, não, pode ser difícil. O que eu descobri é que você precisa tentar encontrar um pouquinho de si mesma que possa colocar no personagem. Porque, não importa o quê, até mesmo na vida real, você sempre vai ter alguma coisa, por menor que seja, em comum com outra pessoa. Então, quando é um personagem que não tem absolutamente nada a ver comigo, eu penso: “Certo, o que eu tenho em comum com essa pessoa? Vamos começar por aí e construir a partir disso.” Quanto à cabine, eu sei que pode parecer clichê, mas eu me divirto tanto que não fico pensando muito nisso. Quer dizer, obviamente, quando estou trabalhando com alguém novo, eu fico pensando: “Ah, preciso fazer um trabalho muito bom para poder mostrar o meu talento.” Mas, quando você está na cabine com o diretor e o engenheiro de som, é meio que um momento mágico e maravilhoso, em que todos estão em uma espécie de ciclo de troca e feedback, sabe? Todos dependem uns dos outros. O diretor fala: “Ei, acho que você deveria tentar fazer dessa forma.” O engenheiro, obviamente, tem um dos trabalhos mais importantes, que é cuidar de tudo e garantir que esteja tudo certo. E aí você está na cabine, fazendo o seu melhor com o personagem. E, felizmente, não é como no teatro, em que você precisa memorizar tudo. O roteiro está sempre na sua frente. Mas, quando alguma coisa acontece e eu erro, eu gosto de simplesmente parar um pouco, voltar ao começo da fala e tentar novamente. E aí você consegue fazer a fala direitinho ou o diretor diz: “Ei, por que você não tenta fazer desse jeito?” Então, eu diria que, justamente por ser tão divertido e por ser uma experiência tão colaborativa com o diretor e as outras pessoas, não é tão assustador quanto muita gente imagina. Porque eles escolheram você justamente porque confiam no seu trabalho. Você está ali para dar o seu melhor. É só fazer o seu melhor. Eles confiam em você.

G – Sim, eu imaginei isso. É muito bom ouvir isso, porque eu estava realmente pensando sobre essa questão. Eu estava me colocando nessa situação e acho que é muito insano pensar que você está criando um personagem, sabe? Vamos colocar dessa forma: você está criando um personagem, dando a ele a sua personalidade e a sua voz. Para mim, isso é algo tão, tão incrível, mas, ao mesmo tempo, parece tão complicado, sabe? Porque imagine que o seu personagem vai fazer parte da equipe de alguém. Essa pessoa provavelmente vai passar muito tempo com aquele personagem, sabe? E é muito louco pensar nisso. Não sei, para mim é algo realmente incrível. Eu nem sei o que dizer. É simplesmente insano.

W – Não, eu te entendo, de fato.

G – E, a propósito, como você se sente quando vê os resultados do seu trabalho? Tipo, existe uma sensação especial que vem de dar vida a um personagem e saber que os jogadores vão interagir com ele e passar várias horas com ele ao longo do jogo? Tipo, você sente esse tipo de coisa?

W – Uh, definitivamente. Eu sou, obviamente, uma grande nerd, então muitas das coisas das quais participo são do tipo: “Ah, isso é incrível! Eu já ia jogar isso de qualquer maneira.” Mas, sabe, eu gosto de apoiar os jogos dos quais participo e também gosto de experimentar coisas novas. Dito isso, é muito surreal ouvir a minha própria voz nos jogos. Às vezes eu fico pensando: “Essa não sou eu. Eles… isso não pode ser a minha voz.” Mas aí eu percebo: “Ah, não, é sim.” É, obviamente, uma grande honra sempre que tenho a oportunidade de participar de um jogo. Mas é interessante porque, sabe, eu penso: “Eu interpretei essa personagem. Estou ligada a esse trabalho. Estou participando de algo que eu mesma jogaria, sabe, até mesmo quando era criança, mas agora a minha voz está nele? O quê?” Você nunca se acostuma de verdade com isso. Pelo menos eu não. É uma sensação surreal, mas uma sensação surreal muito boa. E, obviamente, nós somos nossos próprios críticos mais severos. Mas há momentos em que estou interagindo com uma personagem que interpretei. Por exemplo, como você mencionou, o Eugene, de Elliott. Eu conquistei a platina nesse jogo, porque foi simplesmente muito divertido. E toda vez que eu interagia com o Eugene, eu ficava pensando: “Será que eu poderia ter feito isso melhor? Será que eu poderia ter me esforçado mais? Será que eu poderia ter tentado de outra maneira?” Mas, no fim das contas, acho que eu não faria essas perguntas sobre os outros intérpretes. Então, preciso simplesmente perceber: “Ei, você está nesse jogo também. Assim como todo mundo, você precisa apreciar o jogo pelo que ele é e tentar se sentir grata.” E eu realmente me sinto muito grata. Eu simplesmente amo atuar, amo interpretar personagens e, como nerd, isso é algo muito especial para mim. Com Fire Emblem, por exemplo, quando sou escalada para o jogo, é tipo: “Meu Deus! Tem um novo Fire Emblem! Eu já ia jogar isso de qualquer maneira! Isso é muito emocionante! E agora vou ouvir a minha própria voz nele!” É realmente algo surreal. Mas sou muito grata sempre que tenho a oportunidade de participar de um jogo. E espero que todos que jogarem também apreciem a atuação, gostem da personagem e, sabe, espero que aquilo que coloquei no jogo ajude a torná-lo uma experiência completa.

G – Sim, imagino. E concordo com você. E, a propósito, só para dizer: você tem uma voz muito bonita, muito agradável de ouvir, inclusive. Então, com certeza, isso vai tornar o jogo ainda melhor. Disso você pode ter certeza. Aliás, desculpa por falar isso do nada, mas eu precisava dizer. E, a propósito, a maneira como você falou sobre essas coisas me fez sentir que… como posso dizer? Que essa experiência de dar vida a uma personagem em um jogo, dando voz a ela, inclusive, realmente torna a sua experiência com o jogo muito melhor. Pelo que pude perceber na sua resposta, acredito que isso torne tudo ainda mais especial. Eu consigo sentir isso. E, por curiosidade, existem outras franquias, além de Fire Emblem, Elliott e Fantasian Neo, por exemplo, nas quais você gostaria de trabalhar no futuro?

W – Uh, ah, eu tenho duas franquias dos sonhos. A número um seria Super Smash Bros. Eu adoraria interpretar uma personagem em Smash Bros. Eu sei que é algo bem específico, porque primeiro você precisa interpretar uma personagem em outro jogo e, depois, essa personagem precisa entrar em Smash Bros. Mas eu sou muito apaixonada por Smash Bros. e por jogos de luta. Na verdade, eu costumava jogar Smash Bros. competitivamente. Então, eu adoraria chegar a um torneio e simplesmente dizer: “É, eu estou jogando com a mim mesma.” Eu também adoraria fazer parte de Final Fantasy, especificamente o VII, de qualquer maneira possível, porque é o meu jogo favorito de todos os tempos. Qualquer coisa que tenha a ver com aquele universo já seria incrível. E, além disso, acho que… bem, obviamente isso é uma categoria bem ampla, e eu tenho os meus favoritos, mas eu adoraria participar de um jogo de luta 2D. Eu jogo muitos jogos de luta. Recentemente, comecei a jogar Marvel Tokon e estou me divertindo muito. E eu adoraria poder escolher, na tela de seleção de personagens, uma personagem que eu mesma dublei. Acho que esse seria o momento em que eu pensaria: “Pronto. O sonho se realizou completamente. Ele finalmente se tornou realidade.”

G – Espero que isso se torne realidade para você algum dia. De verdade. Você é uma pessoa muito talentosa, aliás. Tenho certeza de que vai conseguir.

G – Muito bem, então. A primeira pergunta que temos aqui sobre Fire Emblem é porque eu precisei me controlar, está bem? Porque esse é um dos jogos que eu mais estou esperando. Então, tive que me segurar aqui para não perguntar nada que pudesse dar algum spoiler ou coisa do tipo, porque eu… eu não sei, sou um grande fã de Fire Emblem. Mas tudo bem. Está tudo certo. Bom, muito bem. Eu vi que você comentou algumas coisas sobre o seu personagem, Creek. Você o descreveu como… vamos colocar uma citação aqui: “Ele é astuto, inteligente, elegante e verde”. Você poderia nos contar um pouco mais sobre ele? Tipo, quem ele é no mundo de Fortune’s Weave?

W – Sim. Então, o Creek é um dos Twin Jewels. Ele é amigo do Nathan, e os dois formam uma espécie de dupla dinâmica, os “Cavaleiros do Natal” do jogo. Eu gosto muito do Creek porque, enquanto o Nathan é o músculo da dupla, o Creek é mais o estrategista. E eu gosto muito disso, porque grande parte da história do Creek, pelo menos pelo que gravei até agora, gira em torno de ele tentar entender as coisas à sua própria maneira. Acho que, apesar de o Creek ser um soldado e levar o trabalho dele muito a sério, ele também é alguém que busca informações. Ele busca a verdade. E acho que essa é provavelmente uma das coisas mais interessantes sobre ele: ele tem muitas camadas. Sabe, aquilo que você vê na superfície é realmente só a ponta do iceberg. E há muita coisa, no que diz respeito à personalidade dele, que vai sendo revelada e desvendada aos poucos, como as camadas de uma cebola.

G – Oh, ah, é muito bom saber. Então, é um personagem bem misterioso. Um personagem cheio de informações e coisas que nós mesmos vamos ter que descobrir, aliás. Pela maneira como você o descreveu, na minha opinião, ele parece ser um personagem muito profundo, cheio de conhecimentos e informações. Quer dizer, existem várias camadas nesse personagem que vão sendo reveladas aos poucos. Aliás, isso é incrível. É realmente muito bom saber disso. E, pelo visual desse personagem, não sei… ele passa a sensação de ser muito, muito poderoso, sabe? Pelo menos é essa a impressão que eu tenho. A armadura que ele usa e todo o resto do visual dele parecem muito impressionantes para mim, pelo menos. É incrível.

W – Sim, com certeza. Quer dizer, o Creek está em uma posição mais elevada, mas preciso dizer que Fire Emblem é famoso pelos seus designs incríveis. Mas, assim que vi o Creek, pensei: “Meu Deus, sim! Esse cara está muito bem-vestido!” Ele está com tudo em cima! O visual dele é impecável.

G – Sim, ele… esse personagem, não sei, realmente chamou muito, muito a minha atenção. Então, eu não sei, quero saber mais sobre ele. Eu até preparei algumas perguntas bem bobas aqui. Não sei se você vai poder responder isso, mas vou perguntar mesmo assim. O Creek é um personagem com quem os jogadores podem ter um romance no jogo?

W – Não sei se posso responder isso, me desculpe.

G – Ah, claro. Não, sem problema, então. É completamente compreensível, tudo bem. Muito bem. Agora, esta pergunta é um pouco boba, mas vou fazê-la mesmo assim. É mais ou menos a mesma coisa que a anterior, então talvez você já tenha respondido isso na primeira resposta sobre o personagem, mas quem sabe exista alguma coisa que você possa nos contar. O Creek está escondendo algum segredo do jogador?

W – Então, acho que este jogo, como muita gente já deve ter percebido pelos trailers, fala muito sobre os segredos que as pessoas guardam. Sobre a versão de si mesmas que existe por baixo da máscara. Então, sem dar nenhum spoiler, acho que esse é um tema que aparece de certa forma em vários personagens: quando você os conhece, a imagem que você tem deles não é a história completa. Há muito mais por baixo da superfície que você vai descobrir. E, falando especificamente sobre segredos, não sei se necessariamente é algo como: “Ah, eles estão escondendo que o chefão final, na verdade, é o Marth usando uma armadura mecânica”. É mais no sentido de que o Creek é uma pessoa por si só. Ele é um personagem completo, tem a própria vida, e a versão de si mesmo que ele apresenta aos outros não representa o Creek por inteiro. Então, espero que parte da diversão de conhecer o personagem seja justamente descobrir o homem por trás do verde.

G – Ah, isso… você falou de um jeito que agora eu fiquei muito, muito curioso para descobrir isso. Agora é algo obrigatório no jogo para mim. Pela maneira como você falou… não sei explicar. É muito… não sei, realmente chamou a minha atenção. Porque uma das coisas que eu gosto em Fire Emblem é que sempre tem algum personagem que guarda um segredo ou alguma coisa que, conforme você vai interagindo com ele, jogando junto e lutando ao lado dele, chega um momento em que você acaba descobrindo algo sobre aquele personagem. E eu acho isso incrível. Para mim, é uma das coisas mais importantes nos jogos que eu jogo dessa franquia. Principalmente em Three Houses, por exemplo. Sem dar spoilers para quem nunca jogou, existe uma personagem específica com quem você pode ter um romance e, bem… você descobre que ela não é exatamente quem você pensava que fosse. De uma maneira que… bom, eu queria contar, mas não posso, porque acabaria estragando a surpresa para quem nunca jogou. Mas é realmente maluco. É algo além do que você poderia imaginar. Eu jamais esperaria uma coisa daquelas. Mas é incrível. Eu gosto muito desse tipo de coisa nesses jogos. Isso faz com que eles sejam muito ricos em camadas, vamos colocar assim, que você pode descobrir sobre os personagens. E isso é ótimo porque temos muitos personagens nesses jogos, não é? Então, é realmente incrível. Aliás, agora vem uma pergunta muito, muito estranha, preciso admitir. É porque você sabe que muita gente gosta de jogar Fire Emblem com o sistema de morte permanente, certo? Então… eu não tenho essa coragem, está bem? Eu não gosto de ver meus amigos morrerem.

W – É, eu também não. Nos jogos antigos, eu sempre ficava tipo: “Tá, uma pessoa morreu. Vamos reiniciar a fase inteira.” Eu não… não vou aceitar isso.

G – Uau. É, eu também. Eu entendo. Mas aqui vai a pergunta, está bem: você acha que o seu personagem consegue chegar longe no jogo? Porque, como você sabe, a série é conhecida por, às vezes, ter finais bem trágicos para os seus personagens.

W – Uh, acho que isso já entraria um pouco demais no território dos spoilers. Então, quanto a isso, vou dizer apenas: vocês vão ter que descobrir por conta própria.

G – Tá, essa é uma resposta muito boa. Não posso discutir com isso. Acho que não tenho como, na verdade. Muito bem, então. Certo. Bom, falando de uma maneira geral, de uma maneira geral, desculpa, o que podemos esperar de Fortune’s Weave, não apenas como jogo, mas como um todo? Olhando para o cenário completo, por assim dizer, o que você acha que as pessoas podem esperar desse jogo?

W – Sim. Então, obviamente, quando estou no estúdio de gravação, é uma sessão muito focada no Creek. Então, é muito sobre a história a partir da perspectiva dele. Mas isso não significa que o jogo inteiro seja tipo: “Ah, na verdade, o Creek é o protagonista”. É só que, quando eu estava gravando, muita coisa tinha a ver com a história do Creek e tudo mais. Eu diria apenas que é uma história muito boa e bem completa. É um jogo bem grande, o que é incrível. Nossa, é muito difícil falar sobre ele sem dar spoilers.

G – Imagino. Desculpa.

W – Não, tudo bem. É… eu diria apenas que vocês podem esperar um jogo grande, que aborda muitas perspectivas e é muito divertido. E também continua fiel à fórmula de Fire Emblem, mas acrescentando um pouquinho de páprica nela. Pelos trailers, dá para ver que existem armas de fogo, novos tipos de cavaleiros e novos tipos de ataques. Então, é um jogo realmente incrível. Até eu, assistindo aos trailers, acabo descobrindo várias coisas sobre ele. E acho que, no fim das contas, é um Fire Emblem enorme. E isso tem um motivo, tanto em termos de história quanto pela quantidade de coisas que você pode fazer no jogo. Então, o que vocês podem esperar? Provavelmente passar algumas boas horas nesse jogo.

G – “Algumas horas”. Uau! Não, mas falando sério, você falou uma coisa que me fez pensar agora. Como nós não trabalhamos com dublagem nem com esse tipo de coisa, temos uma visão um pouco diferente de como tudo isso funciona. E você falou algo que, para mim, foi realmente muito, muito interessante. Chamou completamente a minha atenção. Quando você disse que conheceu a história, tudo bem, mas a partir da perspectiva do seu personagem… para mim, isso foi tipo um momento de “uau”. Porque eu pensei: “Nossa, então…”. Eu nem sei como explicar isso, mas foi… É claro que talvez seja algo óbvio, mas, para mim, foi incrível, porque eu nunca tinha pensado dessa maneira. Então, uau… você conseguiu conhecer a história pela perspectiva do Creek. Ou seja, você sabe algumas coisas que nós, jogadores, obviamente não sabemos. Mas talvez as informações que você recebeu sejam diferentes do que está acontecendo no jogo, porque alguém que estava dublando outro personagem tinha acesso a outra parte da história, outro pedaço da lore e de informações sobre aquele mundo. E essa pessoa talvez tenha uma opinião diferente sobre determinadas coisas, assim como você tem a sua própria perspectiva. E isso é muito louco para mim. É realmente um daqueles momentos de “uau”, sabe? Nossa!

W – Sim, com certeza. E, como eu disse, eu não tenho conhecimento de muitas das coisas que acontecem nas sessões de gravação dos outros personagens. Mas também, para mim, eu quero que isso seja uma experiência nova para todo mundo. Então, quero tentar falar o mínimo possível sobre a história, além do que já foi revelado nos trailers. Mas é definitivamente um prazer interpretar um personagem em um jogo como Fire Emblem, porque você não é o protagonista, obviamente, mas está nesse mundo tentando fazer aquilo que acredita que precisa fazer. Então, mesmo que o Creek não seja o protagonista principal nem o grande vilão, ele ainda tem a própria vida pessoal com a qual precisa lidar e os próprios objetivos que precisa alcançar. E o fato de esses objetivos estarem ou não alinhados com o que está acontecendo de maneira geral varia, mas, no fim das contas, o Creek está simplesmente tentando fazer o melhor que pode com aquilo que tem. E acho que isso também é verdade para todos os personagens. Acho que é isso que torna Fire Emblem tão especial. Você tem um elenco enorme e muito rico de personagens, e todos eles estão simplesmente tentando fazer o melhor que podem, tentando seguir em frente. E, independentemente de o objetivo deles ser dominar o mundo ou simplesmente viver uma vida tranquila, todas essas pessoas têm um coração, assim como as pessoas na vida real. Desculpa, acho que estou me empolgando um pouco falando de Fire Emblem. Eu realmente amo essa série.

G – Não, está ótimo. É muito legal, aliás. Uau, mas essa foi uma resposta muito, muito sincera e emocionante, na minha opinião. Foi incrível. Realmente incrível. Aliás, a próxima pergunta é um pouco óbvia, mas vou fazê-la mesmo assim. A pergunta era: “Você gostaria de trabalhar em um futuro jogo de Fire Emblem?” E acho que nem preciso perguntar isso, não é?

W – Sim, eu adoraria trabalhar em um novo Fire Emblem, em algum jogo futuro da série. Essa experiência foi tão positiva. E, de novo, é difícil separar a fã que existe dentro de mim da profissional que está trabalhando. Obviamente, durante as minhas sessões de gravação eu faço isso, porque penso: “Certo, esse é um personagem que eu preciso interpretar”. Mas depois é tipo: “Essa é uma série de jogos que eu amo. Isso é muito legal!” Então, sinceramente, se o pessoal de Fire Emblem quiser me colocar em todos os jogos da série, eu vou ficar totalmente de acordo com isso. Como eu disse, eu simplesmente amo a série. Eu ficaria muito feliz em trabalhar em qualquer projeto de Fire Emblem, seja novamente como Creek ou interpretando algum outro personagem no futuro.

G – Isso é incrível. É, tenho quase certeza de que já sabia a resposta desde o começo, porque você parece muito animada, sabe, com o jogo e com a maneira como tudo aconteceu. Dá para perceber que você realmente aproveitou o tempo que passou trabalhando nele. É realmente muito legal ouvir isso. E, a propósito, agora falando sobre as pessoas que trabalharam com você na dublagem… Eu sei que algumas pessoas preferem jogar o jogo em inglês, enquanto outras preferem jogar em japonês, por exemplo. Você teve a oportunidade de conversar com as pessoas que fazem a dublagem em japonês ou não?

W – Não, infelizmente não. Mas isso tem sido um dos meus grandes objetivos. Com certeza quero poder riscar isso da minha lista de coisas que quero realizar. Eu adoraria conhecer algum dos dubladores japoneses de um dos meus personagens. Porque, sabe, eu assisto a muitos animes e jogo muitos jogos. Então, também sou fã desses atores. Por exemplo, no caso do Eugene, de Elliott, quando me disseram quem era o dublador japonês, eu fiquei tipo: “Meu Deus, eu sou fã dessa pessoa!” Eu tinha assistido a uma série em que ele participou pouco antes de vir para cá. Então, eu adoraria conhecê-lo. Adoraria simplesmente conversar com ele, bater um papo, jogar conversa fora, como dizem. Não sei se posso falar palavrão.

G – Não, claro que pode, está tudo bem!

W – É… não, eu diria que esse é definitivamente um grande objetivo. Ainda não aconteceu, mas espero muito que aconteça no futuro.

G – Isso é incrível, realmente incrível. Porque eu vi quem vai fazer a voz do seu personagem na versão japonesa. Desculpa se eu pronunciar o nome errado, porque é japonês e, para mim, é um pouco complicado, mas acho que é o Toshiki Iwasawa. E, pelo que vi, ele também é um dublador muito experiente. Ele já trabalhou em várias produções, como Mushoku Tensei, por exemplo, Gintama, acho que é assim que se fala em inglês, e várias outras coisas, como Sirius the Jaeger. Ele também participou de alguns filmes. Então, eles escolheram pessoas que também são muito talentosas para fazer parte do elenco. E, se eles confiaram em você para dar voz ao Creek, por exemplo, isso mostra que eles têm muita confiança no seu trabalho. Na minha opinião, isso prova que você é uma pessoa muito talentosa. Então, isso é incrível.

W – Ah, obrigada. Sim, é definitivamente difícil calar aquela síndrome do impostor que fica dizendo coisas como: “Você só teve sorte. Eles estão pegando leve com você.” Mas, sabe, acho que todo mundo sente isso até certo ponto. Eu simplesmente fico extremamente feliz por ter a oportunidade de trabalhar nessas coisas.

G – Uau. Não, mas acho que você lida muito bem com isso. Vai ficar tudo bem, na minha opinião. E, a propósito, eu tenho mais duas perguntas. Uma delas eu formulei durante a nossa conversa, então vou deixá-la como a última pergunta. Mas, antes disso, qual é o aspecto mais divertido do seu trabalho como dubladora?

W – Acho que a parte mais divertida é poder me perder dentro de um personagem. Sabe, se você voltar a pensar em quando era criança e brincava de faz de conta no parquinho, não havia preocupação nenhuma. Você simplesmente se tornava o personagem e se divertia. E acho que essa também é a minha parte favorita: na vida real, eu sou a Willow, mas, nessas sessões, posso ser outra pessoa. Posso me entregar completamente àquele papel. E poder atuar com um diretor e um engenheiro de áudio dentro do estúdio é algo que nunca perde a graça. É simplesmente muito divertido. Eu realmente amo interpretar personagens. Acho que o fato de poder interpretar personagens assim e, sabe, sair por aí sendo o Creek ou o Eugene é um prazer único. E acho que, em todas as sessões, pelo menos até agora, eu saí do estúdio pensando: “Estou me sentindo mais renovada agora do que quando cheguei. Isso é ótimo!” É como… não lembro quem me disse isso, mas é mais ou menos assim: todo mundo tem um copo, e você quer encher o seu copo. E a dublagem não apenas enche o meu copo, como faz com que ele transborde. Então, eu simplesmente sinto que isso realmente é o que eu nasci para fazer. É algo que eu amo e que valorizo muito.

G – É realmente, realmente, realmente, realmente muito bom ouvir isso. É incrível quando você trabalha com algo que ama, sabe? É outra coisa, outra realidade. É maravilhoso. Pelo menos nessa área, você é uma pessoa muito abençoada. É incrível, realmente incrível. Eu gostaria de ter essa oportunidade também, mas quem sabe um dia? Talvez a gente veja isso acontecer algum dia. Quem sabe, talvez um dia.

W – É, não. Você deveria, deveria tentar. Existem muitas oportunidades de dublagem, especialmente em projetos independentes, sabe? Como dizem, você perde 100% das oportunidades que não aproveita. Eu diria para você ir em frente. Você não vai se arrepender.

G – Okay. Esse é um ótimo conselho. Muito obrigado, aliás. É, talvez eu tente algum dia. Vamos ver o que acontece. Vamos ver o que acontece. Claro, no momento eu estou gripado, então minha voz está completamente acabada, mas tudo bem.

W – É, assim que você se recuperar da gripe, é melhor ir atrás disso e começar a fazer testes, hein?

G – Eu vou. Se surgir uma oportunidade, eu vou, pode ter certeza disso. Agora que você falou isso, vou ter que fazer. Com certeza. Bom, aliás, tem só mais uma última pergunta. Tenho quase certeza de que essa é uma pergunta muito, muito comum para pessoas que trabalham com dublagem/atuação de voz, que as pessoas costumam fazer. Mas eu fiquei curioso sobre isso. Eu tenho minhas próprias opiniões a respeito, e tenho certeza de que você também tem as suas. E seria muito legal ouvir a sua opinião. Então, como a tecnologia tem evoluído muito ultimamente, como estamos vendo, por exemplo, no caso dos jogos especificamente, vamos deixar outras coisas de lado, muitas pessoas estão usando IA e esse tipo de tecnologia em seus projetos. Desde empresas gigantes até empresas pequenas. E eu sei que, em alguns projetos e coisas do tipo, eles podem usar IA quando se trata de atuação de voz. Você acha que isso ajuda de alguma forma? Ou acha que não é necessário? Você acha que é muito melhor fazer as coisas de forma natural, digamos assim? Qual é a sua opinião sobre isso?

W – Sim, eu sou totalmente contra a IA. Ah, eu odeio IA generativa em praticamente todos os aspectos. Mas também sinto que, bom, sabe, no melhor dos casos, a IA consegue imitar alguma coisa; ela não consegue criar algo novo. Ela só consegue meio que regurgitar algo que já existia. É tipo, sei lá, pegar uma fatia de bolo e um hambúrguer, colocar tudo no liquidificador e pensar: “Bom, temos duas coisas boas juntas: bolo e hambúrguer.” Mas ela não consegue criar. Não consegue fazer nada novo. E eu acho que, além de ser uma tecnologia muito perigosa, com essa erosão da verdade por causa de vídeos gerados por IA, e também com todas as questões sociais e ambientais relacionadas a ela, eu não acho que exista uma maneira ética de usá-la. Mas, saindo do meu palanque por um instante, eu simplesmente sinto que, não importa o quão bem uma IA consiga fazer uma voz, ela nunca vai conseguir transmitir algo novo, porque não tem uma alma. Ela pega pedacinhos das almas de outras pessoas e joga tudo junto numa panela com aquilo que ela acha que é bom. Mas ela nunca vai poder ter a própria alma. Então, qualquer coisa que seja gerada por IA é meio que, eu diria, um insulto aos atores também. Sabe, muita IA é treinada com dados roubados. A maior parte das IAs é treinada com dados roubados. Eu tenho amigos que já tiveram a voz copiada por algum bot de IA para personagens que eles interpretam, e acho isso horrível. Mas, de novo, sabe…

G – E eles (dubladores) não recebem nada por isso, certo?

W – Perdão, como disse?

G – Eles não recebem nenhum ganho por isso, não é? Tipo… uau…

W – Zero. Ah, mas, sabe, nós somos todos humanos. E, como seres humanos, desejamos conexão. E se você está tentando… Bom, histórias são profundamente pessoais, são profundamente emocionais, elas… elas mudam as pessoas. E, se você vai usar algo não humano em uma história, isso realmente diminui a ideia de que: “Ei, esta é a minha arte que estou compartilhando com você, que eu criei junto com todos esses artistas.” Além disso, novamente, isso é simplesmente muito prejudicial para a sociedade e para o meio ambiente.

Acho que foi o Kane Parsons, diretor de The Backrooms, quem disse algo mais ou menos assim: se alguém vai usar IA de forma arbitrária para criar alguma coisa, você fica mais inclinado a acreditar que essa pessoa também vai tomar outras decisões de forma arbitrária, em vez de tomar decisões conscientes com o objetivo de contar uma história. Então, ah, eu sei que falei demais, mas, sim, eu acho que, não importa o quanto a IA evolua, ela nunca vai ser tão boa quanto as pessoas, porque nós temos alma, temos, sabe, perspectivas. E a IA não tem isso. Então, por mais que, sabe, as pessoas na internet digam coisas como: “Os artistas estão acabados, eles nunca mais vão trabalhar porque agora temos vozes geradas por IA”… é…

G – Eu vejo isso o tempo todo…

W – Sim. É só algo que vem de pessoas que, na minha opinião, não entendem de verdade por que fazemos arte. Sabe, a arte não foi feita para ser algo do tipo: “Ah, ei, consuma isso, dinheiro, dinheiro, dinheiro, produto, produto, produto.” Bom, é claro que existe uma troca de bens e dinheiro, mas, no fim das contas, é uma mensagem de uma pessoa para outra. E, independentemente de você se identificar com aquela história ou não, ainda é alguém abrindo o coração para você. E isso está presente em todos os aspectos.

O criador, o roteirista, os atores… todos eles estão dando uma parte de si para esse projeto, para construir uma história completa, algo que desperte emoções. E, sabe, se você está simplesmente substituindo isso por IA para economizar dinheiro — ou até mesmo porque acha que, entre aspas, “soa melhor”, o que eu não acho que aconteça nunca, mas algumas pessoas… — você não está criando porque ama criar. Você está criando porque quer um produto. E eu acho isso muito prejudicial. Acho que, de qualquer forma, coisas como histórias precisam ser feitas por pessoas, porque uma IA não consegue entender por que… Sabe, este é um exemplo aleatório: ela não consegue entender por que o Creek estaria triste nessa cena. Ela só consegue entender que precisa interpretar de forma triste. Então… se ainda não deu para perceber, eu sou muito contra a IA.

G – Não, eu poderia. Está tudo bem. Porque, se você pensar bem, algo que muda a vida… Às vezes, eu… Eu não vou dizer “para melhor”, porque, nessa situação, o exemplo que estamos usando é para melhor, é claro. Não é para pior, vamos colocar dessa forma. Tipo, a minha visão sobre isso é que, em algum momento, eu era a favor. Depois, passei a ser contra, e ainda sou contra, porque, conforme você aprende mais sobre o assunto, você consegue processar as informações e acaba podendo chegar a uma posição em que é a favor ou contra aquilo. Recentemente… Bom, eu diria recentemente, mas, na verdade, já faz bastante tempo que sou contra. Na minha opinião, eu não sou fã disso. Quer dizer, existem situações em que eu acho que é útil. Vamos supor em situações relacionadas à saúde, por exemplo. Tipo, sei lá, digamos que a minha avó tenha algum problema no ouvido e exista uma tecnologia que ajude a melhorar a audição dela. Aí tudo bem. Essa tecnologia é realmente útil. Mas acho que, quando estamos falando de coisas artísticas, como a sua forma de arte, a sua maneira de fazer as coisas, entretenimento, contar histórias, criar jogos, esse tipo de coisa que vai transmitir um sentimento de que alguém acabou de criar alguma coisa…

Acho que, nessa área, a IA é algo totalmente desnecessário. Ela só vai causar problemas. Vai fazer o produto perder qualidade, na minha opinião, sabe? Então é aí que eu acho que ela não deveria estar. A IA não deveria estar nesse tipo de coisa. Mas, em coisas mais mecânicas, como carros e esse tipo de coisa, tudo bem. Essa é uma tecnologia que pode ajudar na mobilidade de alguma forma, então tudo certo. Mas, quando estamos falando de formas de arte, de maneiras de alguém contar uma história e fazer você sentir alguma coisa, sabe… Porque, na minha humilde opinião, eu sei que não sou ninguém nesse tipo de assunto, mas, na minha humilde opinião, acredito que, às vezes, quando jogamos videogames, assistimos a filmes, lemos mangás e coisas desse tipo, qualquer que seja a forma, você está ali porque, às vezes, precisa escapar desse mundo em que vivemos. Você precisa sair um pouquinho da realidade, ter aquele momento para você, e, sabe, talvez esquecer um pouco os seus problemas e simplesmente sentir alguma coisa que talvez alguém tenha criado 70 anos atrás. Talvez… Talvez alguém, sei lá, como o pessoal do estúdio de Fire Emblem, por exemplo. Eles podem produzir alguma coisa que realmente toque o seu coração. Algo que faça você sentir alguma coisa por anos e anos. Para mim, a IA nunca vai ser capaz de produzir algo assim. Ela pode tentar, pode chegar perto, mas, na minha humilde opinião, nunca vai conseguir fazer isso. E os jogos que consideramos obras-primas hoje em dia… Eles nunca precisaram de algo assim. Nunca precisaram disso, e eu também não acho que vão precisar no futuro. Essa é a minha humilde opinião, a minha visão sobre o assunto, aliás.

W – Sim. Concordo muito. Com certeza.

G – Acho que eu acabei falando um monte de coisas. Mas tudo bem. Bom, aliás, é isso. Essas eram todas as perguntas que eu tinha. Eu só espero não ter tomado muito do seu tempo, sabe, com todas essas perguntas.

W – Ah, não, foi ótimo. Foi muito legal conversar com você sobre o jogo e sobre atuação de voz. E, sim, eu agradeço muito por você ter entrado em contato comigo.

G – Sim, foi incrível. Quer dizer, no momento em que eu vi alguém que tinha dado voz a um personagem, e aí vi que o personagem era tão incrível, pensei: “Bom, eu tenho que tentar. Por que não?” Eu já tinha o “não” como resposta, então vamos atrás do “sim”. E foi isso que eu fiz. E, bom, acabou sendo realmente incrível. Eu realmente… Eu realmente tenho que agradecer muito a você também por confiar na gente para fazer esta entrevista, por depositar sua confiança na gente, aliás. Nós somos… Eu diria que somos um site pequeno. Temos uma equipe pequena, é claro, mas o nosso site está crescendo muito rápido. A gente está conseguindo contatos e coisas do tipo com empresas enormes para fazer reviews e coisas assim. A gente está sendo convidado para eventos privados, como, por exemplo, eventos da Microsoft, da Sony e coisas desse tipo. Então, a gente está começando a ter nossas oportunidades aparecendo. Temos maneiras de produzir conteúdo e estamos crescendo muito rápido nessa área, então isso é incrível. Só que, infelizmente, é claro, a gente não tem tantas oportunidades de conversar com alguém que trabalhou diretamente em um projeto que eu amo, como Fire Emblem, por exemplo. Então, quando você disse “sim” para a entrevista, eu fiquei tipo… meu coração estava prestes a explodir.

W – Oh, obrigada!

G – Sim, eu estava muito empolgado. Eu pensei: “Ok, Fire Emblem é um dos jogos que eu realmente quero jogar este ano. Eu quero muito jogar esse jogo. É, tipo, o jogo que eu estou mais ansioso para jogar, junto com Blood of the Dawnwalker.” E, no momento em que você disse “sim”, eu fiquei tipo: “Não, não é possível.” Mas eu estou muito feliz que isso tenha acontecido. Sério mesmo. Aliás, só peço desculpas por estar com essa gripe, então estou com essa voz meio de pato.

W – Nada, não se preocupe.

G – Mas, nossa, eu estou muito feliz. Sério, sou muito grato por esse momento, por essa oportunidade.

W – E obrigada novamente. Obrigada por me receber e por fazer perguntas tão boas. Foi muito bom conversar com vocês sobre todas essas coisas que eu amo.

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