Dois anos depois do lançamento do jogo base, a Ubisoft finalmente encerra sua incursão em Pandora com a expansão From the Ashes, lançada ao mesmo tempo que o filme Avatar Fogo e Cinzas chegava aos cinemas. Eles não tentaram reinventar a roda, mas claramente aprendeu o que funcionava e o que não funcionava na aventura original. O resultado é uma expansão bem mais focada, muito mais brutal e divertida.
So’lek, aquele guerreiro Na’vi que você cruzou no primeiro jogo, agora é o protagonista. E cara, que diferença faz ter um personagem mais direto e menos questionador. Ele não está ali para aprender sobre Pandora ou se conectar com a espiritualidade do planeta, está ali para vingar e proteger. O clã do fogo, os Mangkwan, chega destruindo tudo à sua passagem, aliados dos humanos que persistem em sugar os recursos de Pandora.
A história funciona bem justamente porque não tenta ser grandiosa. É concentrada, pesada em certos momentos, e não demora em desenvolver conflitos internos entre os personagens. Nor, um companheiro de So’lek, carrega traumas profundos com relação ao contato humano, enquanto nosso protagonista usa armas dos “homens de metal” sem culpa alguma. Essa tensão se mantém durante toda a experiência e dá uma profundidade rara em DLCs. Os Mangkwan não são apenas vilões genéricos, cada um deles tem motivações próprias e aparição no novo filme. É uma forma inteligente de sincronizar o conteúdo com a estratégia cinematográfica da Ubisoft.
Gameplay
O sistema de combate permanece praticamente o mesmo, mas há diferenças notáveis. A expansão oferece muito menos furtividade obrigatória. Você consegue avançar atirando descaradamente em vários momentos, e o jogo não te pune tão severamente por isso quanto fazia antes. Isso resulta em sessões mais ativas e, sinceramente, mais divertidas para quem gosta de ação pura.
Os novos inimigos Mangkwan funcionam como mini-bosses em combates específicos. São rápidos, resistentes e usam armas variadas. Nem sempre essas batalhas saem perfeitas. Alguns podem ficar um pouco desgastantes porque basicamente se resumem a descarregar munição sobre eles até caírem. Mas quando bate certo, especialmente em confrontos aéreos, é genuinamente bacana. Os mechas seguem sendo adversários satisfatórios de enfrentar, especialmente com os finalizadores novos que permitem rasgar uma máquina em pedaços se conseguir se aproximar sem ser visto.
A árvore de habilidades tem quarenta opções mas sendo honesto, poucas realmente importam. Há um detalhe especial que elimina mechas de um tiro em furtividade que é útil demais, mas o resto oferece melhorias tão incrementais que você nem sente diferença. A progressão acaba sendo mais automática do que interessante.
A dificuldade não evolui muito bem. Mesmo no nível mais alto, o desafio é principalmente tomar mais dano, não enfrentar inimigos mais inteligentes ou agressivos. Os comportamentos continuam previsíveis. Fica punitivo mas não necessariamente mais desafiador do ponto de vista estratégico.
Visual



Pandora continua sendo um espetáculo visual. A textura das florestas queimadas, o design das estruturas destruídas, tudo comunica a história de devastação sem precisar de cinemáticas explicativas. A fidelidade visual é impressionante e o jogo roda muito bem mesmo nos consoles. Há ocasionalmente problemas menores de navegação, marcadores sumindo ou aparecendo em lugares errados, mas nada que atrapalhe de verdade.
O áudio acompanha a ideia da direção de arte. Onde antes havia sons da fauna, agora tem vento cortante, ruídos metálicos e um silêncio incômodo que comunica desesperança. É muito bem trabalhado. A dublagem em português do Brasil deixa a desejar em alguns momentos (Principalmente nas falas do So’Lek), o que é bem estranho para a Ubisoft que costuma ser a melhor nessa área.
- Jogo e DLC disponibilizado pela Ubisoft Brasil
Avatar: Frontiers of Pandora - From the Ashes
From the Ashes é um bom jeito de encerrar a incursão da Ubisoft em Pandora. Não é perfeito, há limitações óbvias e bugs ocasionais, mas a experiência se mantêm incrível através de um novo protagonista, boa sincronização com o filme de James Cameron e um foco maior em ação que remove algumas das partes mais entediantes da campanha base. É uma DLC claramente feita sob medida para fãs do universo de AVATAR.