-A análise não vai conter nenhum spoiler do game, e a vasta maioria das imagens são de cenas mostradas antes do lançamento do mesmo.
-Vou afocar apenas nos pontos mais relevantes do game!
–Análise feita após 50 horas de jogo!
O que é Code Vein II?
Code Vein 2 é um game de ação e aventura que também pode ser visto como um soulslike. Ele tem elementos de RPG e bastante foco no combate. Seus gráficos seguem um estilo de anime, mas com uma arte um tanto única no design de seus personagens. Code Vein 2 foi desenvolvido pela Bandai Namco Studios e publicado pela própria empresa.
Qual é a história de Code Vein 2?
Ao que parece, ela não é uma continuação direta do primeiro game, mas algo próprio. Em Code Vein 2, criamos nosso personagem e, como de costume, temos muitas opções de personalização, podendo dar vida às nossas ideias mais malucas e eu amo isso. Mas enfim, vamos lá para não perder o foco!
O game se passa no futuro, mas também é possível viajar ao passado. Nesse mundo, as pessoas vivem aterrorizadas com o fato de que monstros surgiram, e eles são implacáveis, destruindo tudo ao seu redor. Nós os chamamos de “horrores”, ou algo do tipo em português, e somos encarregados de caçá-los. Claro, temos companheiros que irão nos ajudar nessa aventura, e eles são bem carismáticos.
Uma personagem se destaca muito durante a jogatina: ela se chama Lou. Com ela, podemos voltar ao passado, ir para uma era de heróis que foram importantes para esse mundo, entender seus motivos e testemunhar sua queda ou auge. São momentos dignos de se descascar uma cebola, se é que me entende.
Code Vein 2 é um mundo cheio de problemas e conflitos, mas que vive em uma constante busca por esperança. Somente o jogador pode, enfim, pôr um fim nesse sofrimento causado pelos monstros, e fará isso por meio de combates intensos contra essas criaturas horrendas, nem que, para isso, precise até mesmo enfrentar seus antigos heróis, se for preciso. E por aqui eu paro, senão vou acabar dando spoilers de coisas muito importantes…
Foco em combate!
Code Vein tem um sistema de combate bem interessante. Ele é, literalmente, muito parecido com o de Dark Souls, por exemplo, acho que é o exemplo mais próximo. Ou seja, você tem armas leves, pesadas, armas de duas mãos, todas com habilidades únicas.
Claro, um diferencial de Code Vein nesse aspecto é que temos uma aba no nosso inventário chamada “Jail”, que permite usar itens especiais que liberam certos poderes, como dar parry nos inimigos ou usar ataques mitológicos e poderosos que fazem total diferença durante o combate, mas que só podem ser usados em momentos estratégicos (ou você vai apanhar muito). Também podemos equipar, em um slot específico chamado “boosters”, itens que permitem melhorar nosso ataque, velocidade, defesa, agilidade etc. Ou seja, é como se fossem os anéis em Dark Souls, por assim dizer.
Durante o combate, precisamos prestar atenção na nossa barra de energia, a famosa stamina, e também nas habilidades dos inimigos, porque, de fato, no começo do game as coisas são bem difíceis. Eu, pessoalmente, demorei muito para entender certas coisas: demorei para aprender como melhorar a quantidade de vida que recuperamos ao usar itens de cura, demorei para entender como conseguir os boosters que ajudam muito no desempenho do combate e ainda tive dificuldade para compreender como melhorar as armas, porque joguei por um bom tempo sem fazer nada disso, apesar de ser alguém com bastante experiência em soulslikes e já ter jogado o primeiro game da franquia Code Vein.
Mas essa minha dificuldade tem a ver com o assunto de level design, que já já eu explico. Para encerrar o assunto do combate, gostaria de dizer que há chefes bem fáceis e outros bem difíceis, mas, em certos momentos, achei que eles são um pouco desbalanceados. Fiquei com a sensação de que alguns chefes são muito ágeis e se movem de maneira um pouco estranha se comparados ao restante do game, mas talvez seja só impressão minha.
Em resumo, demorei para me acostumar com a movimentação e, mesmo até aqui, ainda tenho um pouco de dificuldade em entender certos movimentos de ataque e padrões de alguns chefes. Achei o game bem desafiador, mas comecei a apreciá-lo mais depois de muitas horas aprendendo e explorando.
Acredito que ainda falta algo nesse combate, seja na movimentação do personagem ou na forma como executamos nossas ações em comparação ao restante do game. É uma crítica estranha de se fazer, afinal é algo bem pessoal, mas senti que ainda falta um pouco para o combate melhorar. O que quero dizer é que a movimentação do nosso personagem é um pouco devagar, e fico com a impressão de que poderíamos ser mais rápidos. Acredito que só isso já melhoraria muito a experiência de jogo.

Level Design complicado...
Algo que eu não gostei no game é o level design. Eu me perdi muito no cenário e demorei para entender que os pontos roxos piscando eram importantes e que ali liberávamos a neblina que esconde o mapa.
Achei que, por exemplo, diferente de Elden Ring ou Zelda: Breath of the Wild, aqui fica um pouco difícil entender aonde o game quer que você vá. Não temos um guia natural, na minha opinião. Digo, ao olhar para montanhas, estradas e por aí vai, se você não prestar atenção no que os NPCs te falam, você está lascado. É difícil se achar olhando para o mapa no menu, por exemplo. Em certos momentos, é mais fácil se jogar à mercê dos deuses, porque as ruas nem sempre te levam aonde você pretende chegar.
Agora que Code Vein embarcou na ideia de um mundo aberto, imagino que isso funcione como uma faca de dois gumes: um lado acerta ao tentar algo novo, enquanto o outro erra ao tentar entender como fazer isso funcionar. E, quando digo level design, me refiro de forma geral. Por exemplo, senti um pouco de falta de uma variação maior de inimigos. Há alguns chefes que se tornam inimigos regulares após enfrentá-los, e isso é comum em vários jogos desse tipo, mas aqui, pela falta de variedade, isso fica bem evidente.
Acho, porém, que isso é algo que será melhorado conforme os desenvolvedores lançarem mais jogos, estudarem o feedback e ganharem mais experiência com esse estilo de game. Eu admito: gosto de mundo aberto, gosto de exploração, e, de fato, a exploração é muito relevante para este jogo — sem ela, você não avança. Acho difícil Code Vein voltar ao formato antigo agora.
Acredito que, se os desenvolvedores ouvirem a comunidade e focarem no futuro da franquia, as coisas serão brilhantes. Cada acerto é importante, mas as falhas são ainda mais, porque é através delas que aprendemos e melhoramos ainda mais o nosso trabalho.

E a otimização como vai?
De forma rápida e direta, houve certos momentos em que tive quedas de FPS, mas foram em situações específicas. Estou jogando com a opção de desempenho ativada, para ter uma performance melhor, ou seja, as texturas ficam mais reduzidas, mas consigo jogar com mais estabilidade no PS5.
É a informação que posso acrescentar a respeito disso. Eu sou simplista: se o game não é feio e posso jogar sem me estressar com travamentos, já fico satisfeito.
Opiniões gerais
Code Vein 2 é um jogo muito interessante. Eu confesso que houve momentos em que ele me frustrou, mas, no fim das contas, acho que tive uma impressão mais positiva do que negativa. Quando gostamos e nos importamos com algo, a gente tende a ir de cabeça e demonstrar nossos sentimentos, e com Code Vein não é diferente.
Eu gosto muito da ideia do game e gosto que os desenvolvedores tentaram algo diferente aqui. É importante experimentar ideias novas. O combate tem, sim, seus pontos negativos, mas ele funciona.
Eu, particularmente, estou dividido quanto à aparência dos personagens. Eles têm uma arte única, por assim dizer, mas prefiro o estilo de design um pouco mais simplista do game anterior. Vamos ver o que o futuro nos reserva para a franquia.
Tenho a impressão de que Elden Ring foi um sucesso tão grande que vai inspirar muitos estúdios a darem uma chance para essa fórmula de Souls com mundo aberto, que, para mim, funciona muito bem. Code Vein e Nioh já deram uma chance a isso, e acredito que as portas foram abertas para essa ideia. Sinceramente, eu topo ver aonde isso vai chegar.
Só para esclarecer o meu problema com o level design, vou citar um exemplo bem simples para que você possa entender: imagine que o dev quer que você vá para tal lugar em um determinado momento do jogo. Então, ele vai construir uma área específica que precisa te guiar naturalmente até aquele local. É aqui que eu acho que Code Vein peca: mesmo olhando o mapa e falando com um NPC, as coisas não ficam muito claras em certos momentos e acabam causando confusão.
Souls e Mundo Aberto… É uma ideia perigosa, mas só saberemos se vai dar certo quando finalmente jogarmos. Em Code Vein, especificamente, eu acredito que ainda falta um pouco de experiência para o time assimilar bem os dois pontos: Souls e mundo aberto. Ainda assim, fico feliz por ter jogado e feliz em saber que um dos estúdios que mais estou de olho é inquieto e busca novas ideias em seus projetos.
- Jogo disponibilizado pela Bandai Namco Brasil
Code Vein II
Code Vein II é um jogo complicado. Ele tenta novas ideias e acaba tropeçando na grandiosidade delas, mas corajoso é o dev que se arrisca, e esse é o caso de Code Vein II. Ele será usado como experiência para os projetos futuros da Bandai, e torço muito para que venham ótimos games no futuro.
Eu recomendo o game, mas só quando o preço abaixar um pouco, pois nós, brasileiros, na situação atual, sabemos que não é fácil pagar o valor de R$ 304,50 que o jogo custa neste momento. Recomendo aguardar uma promoção, mas definitivamente o game é divertido. Apesar de algumas falhas no level design, os seus companheiros, e uma história bem legal conseguem te guiar durante a jornada.
Posso dizer que já estou no finzinho dele e ainda tenho muita vontade de ver o que acontecerá no próximo jogo da franquia e qual será a nova ideia que os devs irão tentar implementar.
