Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é aterrorizante!
Antes de ler a análise:
Obrigado à Koei Tecmo pelo envio da chave! | O game foi jogado no idioma inglês com áudio alternado entre inglês e |japonês. | O idioma português do Brasil não está disponível no momento. | Joguei a versão antes do lançamento; ela não possui correções de bugs de lançamento. | A plataforma jogada foi a Steam. | Essa análise evita spoilers ao máximo, mas pode ser que alguma informação aqui possa ser considerada spoiler.
O que é Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake?

O game é um remake do jogo original de mesmo nome lançado lá em 27 de novembro de 2003, na “era de ouro” dos games de survival horror do PlayStation 2, e é o segundo game da franquia Fatal Frame. Ele foi desenvolvido e distribuído pela Koei Tecmo, seu gênero é survival horror. O remake será lançado na data de 11 de março de 2026.
Qual é a história de Fatal Frame 2?

Em Fatal Frame 2, você jogará como Mio, e, como companheira no game, teremos Mayu Amakura, que é nossa irmã gêmea. As duas são bem próximas e têm um bom relacionamento, apesar de algumas mágoas rolarem. Mas, afinal, qual família não tem uma boa “história de brigas e desavenças para contar”, não é?
Mio e Mayu acabam entrando em um vilarejo obscuro e distante de toda a civilização durante uma viagem por uma floresta onde elas costumavam brincar quando crianças. O vilarejo é um local completamente estranho e parece até parado no tempo. Ao investigarem o local, Mayu acaba desaparecendo, como se algo a chamasse e ela simplesmente estivesse fora de si, o que é um tema recorrente na franquia. E, claro, nós precisaremos salvá-la. O problema é que o lugar é mal-assombrado e ficamos presas lá. Também existem fantasmas horrendos que vagam pelo lugar onde outrora rituais sinistros aconteceram, e esses rituais envolvem sacrifícios humanos. Há até menções de um portal para o inferno, túneis escondidos e muita energia negativa deixada por aqueles que entraram nesse lugar e nunca mais saíram. E é com essa introdução que nossa jornada começa pelo vilarejo de Minakami.
Jogabilidade aterrorizante

Fatal Frame 2 Remake trabalha nos mesmos moldes do seu jogo original: temos nossa câmera fiel, uma lanterna, itens de cura, temos mecânicas de stamina que são usadas conforme esquivamos dos inimigos. Podemos nos esconder em certos locais para evitar os inimigos, e em certos locais encontramos lâmpadas antigas que servem para salvar o jogo, trocar nossas roupas e até mesmo comprar melhorias para filtros que são usados para situações específicas no jogo, como procurar rastros fantasmagóricos pelo cenário, tirar fotos de locais e revelar como eles eram no passado, achando passagens secretas ou itens relevantes, e desfazendo selos de rituais macabros que bloqueiam nosso progresso.

São muitas mecânicas interessantes que tornam o game mais cheio de possibilidades, e isso evita que você fique em uma mesmice. E dependendo da dificuldade em que você jogar, a coisa fica feia, porque, no início do game, quando um fantasma aparece, é um Deus nos acuda, é desesperador. Eu demorei para me acostumar com isso, mas, com as melhorias que você adquire para sua câmera, a jogatina fica muito mais fácil.

Temos vários tipos de rolos de filme para a câmera também, e esses filtros nos ajudam com os combates; afinal, os fantasmas são bem xaropes e não desistem tão fácil. E quando temos mais de um fantasma, a coisa fica feia, afinal, o combate do game consiste em fazer uma espécie de exorcismo através da Câmera Obscura, ou seja, tiramos fotos dos fantasmas para capturar sua alma e, assim, os exorcizar.
Fora que temos vários enigmas (puzzles) que precisamos resolver, e eu gosto muito deles. Fora que, para resolvê-los, você precisa do famoso “backtracking”, ou seja, várias idas e vindas através do cenário. Eu cheguei a me perder por várias vezes e fiquei preso em alguns enigmas, mas confesso que foi divertido ter que usar a cabeça para finalizá-los. E eles não são difíceis, eu é que sou devagar com essas coisas. (E esses enigmas, pelo que percebi, variam do original para o remake).

Uma mecânica interessante do game é que, quando você está com a Mayu, você pode chamá-la e segurar na sua mão. E, fazendo isso, você recupera sua vida e stamina rapidamente, além de ser legal também e reforçar a ideia do jogo de “você não vai me abandonar, né?”.
Definição da Câmera Obscura por Seijiro Makabe

A Câmera Obscura é um dispositivo fotográfico criado pelo Dr. Kunihiko Aso para capturar seres espirituais que são tipicamente imperceptíveis ao olho humano. E, especificamente, é capaz de revelar o seguinte:
- Eventos que já aconteceram e que contêm energia emocional (falar sobre isso);
- Aparições invisíveis.
Mas… Fotografar esses fenômenos sobrenaturais que desafiam o pensamento comum permite ao observador obter um efeito similar a um exorcismo tradicional. Entretanto, esse processo também estabelece um vínculo com o sujeito.

Temos também o Spirit Stone Radio Memo, que é um rádio onde utilizamos itens, minerais e pertences de outras pessoas para ouvir suas intenções passadas e desejos mais profundos. E é aterrorizador pensar que nossos pensamentos podiam ficar presos em objetos e ecoar pela eternidade…
Definição de Spirit Stone Radio Memo

É um rádio de cristal que usa cristais em certas partes dos seus circuitos para conseguir sinais, e podemos melhorá-lo para liberar que vozes sejam ouvidas do reino espiritual. Essas vozes vêm de cristais e outros minerais que foram usados anteriormente por pessoas em longos períodos de tempo. Após um contato prolongado, as emoções do dono se tornam vinculadas a essas pedras, emitindo um tipo especial de luz invisível para os humanos.
Atmosfera aterrorizante

Fatal Frame é sinistro, ele não é como os outros survival horrors, ele vai te prender, vai te sufocar. A ambientação é surreal e, quando digo ambientação, eu não me refiro ao cenário em si, mas sim à obra como um todo. Quando você está andando pelo vilarejo, é possível ouvir grilos, seus passos, os sons da noite… Ao entrar em uma casa, por exemplo, a atmosfera muda, ela fica pesada, a trilha sonora se altera completamente… E conforme anda pelos corredores escuros com sua lanterna fiel, cada passo precisa ser ouvido com cuidado, pois, se não estiver com a Mayu e ouvir mais passos, pode correr… E não se esqueça, estamos falando de fantasmas: portas e paredes não vão te salvar!
Você nunca está sozinho!

Uma mecânica que acho incrível é a mecânica do perseguidor. Você tem mais de um perseguidor nesse jogo, inclusive, e a sensação de precisar fugir sem poder se defender é algo indescritível. O jogo coloca uma espécie de filtro preto e branco, muda a trilha sonora de uma vez e a sua personagem fica em estado de choque, e a única coisa a se fazer é se esconder em certos locais. Mas eu quase tive um treco quando um dos fantasmas que estava me perseguindo me achou!
Muitos sustos!

Fatal Frame 2 está recheado de jumpscares, como se fosse um filme de terror japonês. A cada porta que você abre, a cada gaveta em que for mexer, algo pode acontecer. Já cansei de ser agarrado por fantasmas, levar vários sustos com os gritos e cenas deles aparecendo em momentos oportunos. E o melhor: não é algo que te cansa no jogo, é bem comum, e com a variedade de fantasmas, a coisa fica bem diversificada. O momento em que mais me assustei foi quando uma mulher caiu do terceiro andar de uma casa e o seu fantasma era todo torto com o pescoço quebrado, mas o detalhe do susto foi que, quando ela estava caindo, era como se o tempo parasse por alguns segundos e ela olhasse nos meus olhos; aquilo me marcou.
Otimização

Acho justo destacar que a versão na qual joguei não tem nenhum patch day one ou algo do tipo; é a versão sem as famosas correções do dia de lançamento. Mas vamos lá, joguei com todas as opções gráficas no máximo, e meu computador é mediano também. Tenho uma GTX 4060 Ti, um Ryzen 5700 e 32 GB de memória, e raramente tive problemas como stuttering ou quedas bruscas de FPS. Nas mais de 30 horas que passei jogando, posso afirmar que isso só ocorreu em 2 momentos, e foi coisa rápida.
Opiniões…

Vindo de alguém que tem bastante carinho pela franquia Fatal Frame e tantas outras franquias da Koei, eu posso afirmar: o remake vale a pena. Com melhorias gráficas significativas, jogabilidade simples, mas bem efetiva, personagens carismáticos e uma ambientação de arrepiar, é impossível não ficar feliz rejogando essa maravilha. Ainda mais porque na infância eu nunca consegui terminar um Fatal Frame, eu sempre morria de medo, e só consegui finalizar outros games da franquia quando já era adulto e tinha mais coragem.

Mas Fatal Frame 2 é sensacional, tudo a que ele se propõe a fazer é feito com maestria. Eu fiquei completamente imerso nele por vários dias, e a sensação de finalmente escapar do vilarejo (se é que você consegue) é indescritível. Fora que o game é bem dinâmico: podemos ouvir os trechos de rádio que coletamos a qualquer momento, revisitar os arquivos que contêm fragmentos da história do jogo; temos side-stories para fazer também, as quais descobrimos durante a exploração do jogo, se é que você vai ter coragem de explorar esse jogo, porque olhe, quando menos esperar, vai arrumar uma confusão no vilarejo.

A sensação que tive ao explorar os locais é algo de outro mundo. Por exemplo, você entra em uma casa e se depara com uma espécie de aura maligna que fica evidente no momento em que coloca os pés no local. E as chances são inúmeras: fantasmas te observando em janelas, se escondendo dentro de armários e apenas esperando você se aproximar, ou simplesmente seu ódio é tanto que chegam a emanar uma energia vermelha no local quase te cegando. E se você ficar sem energia (stamina), eles avançam imediatamente te deixando no chão e buscando te matar o mais rápido possível. E se você der azar, será perseguido por algo muito pior…

Eu acabei de finalizar umas três ou quatro jogatinas no Resident Evil Requiem e já parti para o Fatal Frame 2 assim que recebemos a chave, e a diferença entre os dois é brutal. Enquanto Resident Evil escolhe apaziguar os fãs que preferem mais o estilo de ação da franquia, como Resident Evil 4, e misturam a galera old school que gosta mais da exploração, fragilidade e elementos de sobrevivência e horror dos jogos antigos, a franquia Fatal Frame, principalmente o segundo game, permanece com os elementos clássicos pelos quais é conhecido: o survival horror. É difícil se sentir poderoso no game, e isso demora para acontecer, ao menos na minha opinião. Não estou criticando a Capcom, pelo contrário, só exaltando as diferenças entre ambos. Em Resident Evil, temos mais momentos para descansar um pouco a mente; já em Fatal Frame, não temos essa benevolência. Os temas são bem pesados, frequentemente falando sobre cultos que fazem rituais de sacrifícios em locais isolados do resto do mundo, onde sua religião e costumes permanecem intocáveis pelo mundo exterior, e onde o suicídio é constantemente abordado e as pessoas são ensinadas que isso é normal. Fatal Frame não é um jogo para todos, é um jogo para aqueles que buscam se aprofundar em um mar obscuro, onde a solidão e o medo de ser deixado para trás são só o início do iceberg.

Fatal Frame é o tipo de jogo em que você vai chegar tão fundo que vai chegar a questionar muita coisa, e quando descobrir o que significa “Crimson Butterfly” vai entender o que digo.
Veredito

Quando um game se propõe a fazer algo e ele faz isso muito bem, não tem outra forma de dizer: ele é um ótimo game, e Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake me intrigou do começo ao fim.
Gostei da narrativa, dos personagens, da ambientação, da trilha sonora; tenho zero reclamações quanto a esses elementos. Mas é preciso dizer, o game não tem localização para PT-BR, ou seja, se você tem dificuldade com outros idiomas, então não recomendo você jogar Fatal Frame 2, pois o game tem muitas idas e vindas e depende de cartas com informações, diálogos, cutscenes breves, mas que são recheadas de informações para você se situar sobre o que fazer e resolver os famosos enigmas (puzzles) que estão presentes no game, e entender a visão de mundo que o game quer te apresentar.
E essa é minha maior crítica ao game. Acredito também que o preço poderia ser mais reduzido para o Brasil, para que assim mais pessoas possam aproveitar e dar uma chance para uma das maiores e mais icônicas franquias de terror dos videogames. Mas fora esses dois pontos, eu só tenho coisas positivas para falar sobre Fatal Frame 2, e se você ama survival horror, é um pecado não dar uma chance para Crimson Butterfly Remake.
