Hordes of Hunger é um roguelite de ação em terceira pessoa que aposta em combates frenéticos, hordas massivas de inimigos e uma ambientação dark fantasy carregada de personalidade. Desenvolvido pela Hyperstrange e publicado pela Kwalee, o jogo combina mecânicas consagradas do gênero survivors-like com um sistema de combate mais ativo, oferecendo uma experiência dinâmica, desafiadora e altamente viciante.
Jogabilidade
O grande destaque de Hordes of Hunger está em seu gameplay acelerado e fluido. O jogador controla um personagem capaz de executar ataques corpo a corpo, esquivas, habilidades especiais e golpes devastadores, enquanto enfrenta centenas de inimigos simultaneamente.
A cada partida, novas habilidades, modificadores e melhorias são desbloqueados no refúgio, onde podemos interagir com npcs e criar builds, forjar armas e comprar alguns itens. Essa estrutura roguelite garante que as runs tenham as suas diferenças.



Além disso, o jogo apresenta mapas com dificuldades progressivas, incluindo desafios extremos para jogadores que buscam testes reais de habilidade e estratégia.
Combate
Apesar da proposta de unir mecânicas survivors-like com elementos de hack and slash, Hordes of Hunger acaba entregando um sistema de combate que não se destaca em nenhuma das duas frentes.
O gameplay não é tão simples e acessível quanto em jogos do gênero survivors, que apostam em comandos intuitivos e leitura clara de tela, nem profundo o suficiente para agradar fãs de hack and slash mais tradicionais, que buscam combos elaborados, variação real de movimentos e maior domínio técnico.
As habilidades e ataques cumprem bem sua função básica, mas carecem de complexidade mecânica e identidade própria, fazendo com que o combate se torne previsível após algumas horas. Mesmo com a presença de múltiplas builds e upgrades, a sensação é de que o núcleo do sistema permanece superficial, limitando o potencial estratégico das partidas.
O resultado é um combate competente, porém pouco marcante, que funciona dentro da proposta, mas não entrega o impacto esperado considerando a forma como o jogo foi divulgado.
Progressão e rejogabilidade
Como todo roguelite, Hordes of Hunger investe fortemente em progressão constante. Mesmo ao falhar em uma run, o jogador desbloqueia melhorias permanentes que impactam diretamente as próximas tentativas.
Esse sistema cria um loop de gameplay viciante, onde cada derrota serve como aprendizado e incentivo para tentar novamente, sempre com novas estratégias e combinações de habilidades.
A variedade de upgrades não é tão grande e os caminhos possíveis faz com que o jogo não ofereça uma boa gama de builds, minando um pouco de sua longevidade.
Gráficos e ambientação
Visualmente, Hordes of Hunger aposta em uma estética sombria e estilizada, que combina perfeitamente com sua proposta narrativa. Os cenários apresentam boa variedade, com mapas amplos, repletos de detalhes e atmosfera opressiva.
De fato, é possível ver que houve bastante esmero na parte de criação de mundo onde podemos ver todos os monstros e personagens, cada um com uma descrição para que o jogador se mantenha informado.


Os efeitos visuais das habilidades são claros e impactantes, ajudando na leitura do combate mesmo em meio ao caos de dezenas de inimigos na tela.
Trilha sonora e design de áudio
A trilha sonora de Hordes of Hunger acompanha o ritmo acelerado das batalhas, mas não consegue criar uma identidade sonora forte nem aprofundar a imersão do jogador no universo dark fantasy apresentado.
As músicas cumprem seu papel funcional, mantendo um pano de fundo coerente durante os confrontos, porém carecem de temas marcantes ou melodias memoráveis, tornando-se facilmente esquecíveis após poucas horas de jogo.
O design de áudio, por sua vez, é competente nos efeitos sonoros, transmitindo impacto básico aos golpes e ações, mas sem grande destaque técnico ou artístico. No conjunto, o setor sonoro não compromete a experiência, mas também não contribui de forma significativa para a construção de atmosfera e envolvimento emocional.
Entre os pontos positivos, destacam-se o loop de progressão, a ambientação dark fantasy marcante e os desafios bem equilibrados e escaláveis, que garantem uma experiência consistente e envolvente ao longo das partidas. Em contrapartida, o jogo pode se tornar repetitivo para quem não é fã do gênero, além de apresentar uma trilha sonora pouco cativante e uma gameplay que, em conjunto, nem sempre conseguem sustentar a imersão do jogador, somado ainda à pouca variedade narrativa entre as runs, o que limita a diversidade da experiência ao longo do tempo.
Versão 1.0 (Update 5)
A atualização 1.0 (Patch 5.0) marca o lançamento oficial de Hordes of Hunger e representa um avanço significativo em termos de conteúdo, balanceamento e refinamento da experiência geral. O update introduz 50 conquistas, além de dois novos modos de dificuldade, Nightmare e Hell, que elevam drasticamente o desafio ao aumentar a quantidade de inimigos, fortalecendo inimigos e tornando os Guardiões ainda mais perigosos, incluindo imunidades elementais no modo mais extremo.
Também foram adicionados spawns procedurais no terceiro bioma, novos níveis para perks, ajustes relevantes no modo Endless, melhorias na navegação do menu de viagem, refinamentos narrativos nas quests e uma série de polimentos técnicos, como nova trilha sonora para a arena Tainted Sanctum, animação inédita de surgimento dos chefes e mudanças no sistema de drops, que agora conta com recompensas únicas por arena descritas no Codex. No conjunto, o patch 1.0 consolida a identidade do jogo, ampliando sua profundidade, longevidade e oferecendo um pacote mais robusto e bem estruturado para os jogadores.
Hordes Of Hunger
Hordes of Hunger entrega uma experiência pouco sólida mas consistente, especialmente voltada para jogadores que já estão familiarizados com as convenções dos roguelites e jogos de ação focados em hordas. Sua combinação de progressão constante, alto fator replay e combates contra enxames massivos garante boas horas de entretenimento, embora suas mecânicas não consigam se aprofundar o suficiente para se destacar de forma contundente dentro do gênero.
Dessa forma, trata-se de um título mais recomendado para fãs do estilo, que tendem a apreciar o loop repetitivo característico e a proposta de desafio contínuo. Para quem busca inovação, profundidade mecânica ou uma ambientação sonora mais marcante, a experiência pode soar limitada, ainda que competente dentro de sua proposta.
