My Hero Academia: All’s Justice | PS5

Um novo arena fighter de Boku no Hero está entre nós. Será que ele entrega finalmente a experiência definitiva de Boku No Hero? Confira na análise.

A análise a seguir pode conter leves spoilers tanto do mangá quanto do anime de Boku no Hero Academia. Se você ainda não acompanhou a reta final da obra, siga com cautela.

O que é My Hero Academia?

Boku no Hero Academia, conhecido mundialmente como My Hero Academia, é um mangá shounen lançado em 2014 na revista Weekly Shonen Jump. A adaptação para anime chegou em 2016 pelas mãos do estúdio Bones, o mesmo responsável por obras consagradas como Fullmetal Alchemist Brotherhood. Desde o início, a série chamou atenção por apresentar um mundo em que ser super-herói é uma profissão regulamentada e amplamente aceita pela sociedade, enquanto a maior parte da população nasce com algum tipo de individualidade, que são basicamente superpoderes.


O protagonista, Izuku Midoriya, nasce sem individualidade em um mundo onde isso é praticamente uma sentença de exclusão social. Sua vida muda ao herdar o One For All, poder que pertenceu ao maior herói da história, All Might. A partir daí, acompanhamos sua trajetória na U.A., sua evolução como herói e, claro, o embate crescente contra o grande vilão All For One e seu sucessor, Tomura Shigaraki.

O que é All’s Justice?

My Hero Academia All’s Justice é o jogo mais recente inspirado na obra e adapta justamente o arco final da história, colocando o jogador no centro da batalha decisiva entre heróis e vilões. Aqui temos a conclusão completa da trama principal, com foco na guerra final contra All For One e Shigaraki.


O modo história utiliza cenas estáticas retiradas do anime e sequências em CGI 3D produzidas pela Byking. Essa mistura funciona em alguns momentos, especialmente quando o peso dramático da narrativa entra em cena, mas em outros acaba evidenciando limitações técnicas. Ainda assim, é um esforço claro de entregar a reta final da saga com o devido impacto.
Além do modo história, o jogo apresenta um pequeno hub onde controlamos Midoriya livremente e acessamos os demais modos. Também há o tradicional modo de batalha 1 contra 1, seja contra a CPU, localmente ou online. Porém, o grande diferencial está no modo Missões em Equipe.


Nesse modo, assumimos o controle de membros da turma 1 A em missões pela cidade. Existe um mapa próprio inspirado no cenário da obra, representando um pequeno bloco urbano onde enfrentamos vilões e realizamos tarefas típicas do cotidiano heroico. A proposta foge um pouco do modelo padrão de arena fighter que domina os jogos de anime, frequentemente comparados a Naruto Ultimate Ninja Storm. Aqui há pelo menos uma tentativa de expandir a experiência e simular o dia a dia dos heróis em formação.


Temos ainda o modo Arquivos de Batalha, que permite reviver confrontos icônicos do universo da série. Essas batalhas são desbloqueadas conforme avançamos nas Missões em Equipe, incentivando o jogador a explorar todos os conteúdos disponíveis.


Apesar das novidades, o loop principal continua sendo o de um arena fighter com batalhas 3 contra 3. O jogo oferece dois estilos de controle, um mais simplificado com combos automáticos e outro mais técnico, exigindo execução manual dos golpes.

Gameplay

O combate é direto e relativamente acessível. As arenas são pequenas e, em comparação com outros títulos do gênero, bastante limitadas em espaço. Isso torna as lutas mais intensas, mas também mais caóticas.

O sistema de combos é sólido e cada personagem possui sua individualidade bem representada em termos de habilidades e efeitos visuais. Visualmente, os poderes são bem trabalhados e remetem fielmente ao anime.

Entretanto, o maior problema está na inteligência artificial. Mesmo nas dificuldades mais baixas, a IA é excessivamente agressiva e muitas vezes injusta. O uso constante da mecânica chamada Counter Crash torna diversas lutas frustrantes. Trata se de um recurso que permite interromper combos e contra atacar com alto dano. Embora o jogador também possa utilizá lo, o impacto é muito inferior ao do inimigo, criando um desequilíbrio evidente.


Outro ponto negativo é a remoção das antigas Ultimate Cinemáticas. Nos jogos anteriores, esses golpes especiais eram momentos de espetáculo, com animações elaboradas e grande impacto visual. Em All’s Justice, temos apenas os golpes chamados Plus Ultra, executados em tempo real na arena, sem o mesmo peso cinematográfico. Para uma franquia que sempre valorizou o exagero visual e o impacto emocional, essa mudança soa como um retrocesso.


As arenas, além de pequenas, possuem diferenças de altura mal planejadas, o que interfere na fluidez do combate. Há poucos elementos destrutíveis e, quando entram em cena, o desempenho do jogo pode sofrer quedas perceptíveis.

Modo História

O modo história é o grande destaque conceitual do jogo, mas sua execução é irregular. Em alguns momentos, a narrativa é bem conduzida, com ritmo adequado e batalhas equilibradas. Em outros, o jogo peca no pacing, forçando o jogador a enfrentar o mesmo oponente várias vezes em sequência, com dificuldade crescente.


A batalha final, que deveria ser o ápice da experiência, acaba se tornando um teste de paciência. O aumento exagerado de dificuldade e o uso abusivo das mecânicas problemáticas deixam a impressão de que o desafio foi construído mais na base da frustração do que do equilíbrio.

Modo Missões em Equipe

A ideia de controlar os alunos da turma 1 A em missões pela cidade é excelente no papel. Existe claramente uma tentativa de atender ao desejo dos fãs por um jogo mais próximo de um mundo aberto dentro do universo de My Hero Academia.


No entanto, a execução é bastante limitada. As missões seguem um padrão repetitivo, geralmente envolvendo deslocamento entre pontos e objetivos simples. Após poucas horas, o modo se torna cansativo. A falta de variedade e profundidade compromete a proposta. Além disso, a obrigatoriedade de completar essas missões para desbloquear conteúdos do modo Arquivos de Batalha gera uma sensação de progressão artificial.

My Hero Academia: All's Justice

My Hero Academia All’s Justice é um jogo que carrega uma responsabilidade enorme ao adaptar o arco final de uma obra tão querida. Ele acerta ao trazer momentos importantes da história, ao representar bem as individualidades dos personagens e ao tentar inovar com modos adicionais como as Missões em Equipe.


Por outro lado, problemas técnicos, decisões questionáveis no design de combate e um modo história irregular impedem que o jogo alcance todo o seu potencial. A IA desbalanceada e a ausência das antigas Ultimate Cinemáticas são escolhas que pesam negativamente na experiência.


Ainda assim, para fãs dedicados da franquia, All’s Justice oferece a oportunidade de reviver a batalha final de forma interativa e assumir o controle de seus heróis favoritos em confrontos épicos. Não é o jogo definitivo de My Hero Academia que muitos sonhavam, mas também não é uma experiência descartável. Ele cumpre seu papel como adaptação da reta final da saga, mesmo que deixe a sensação de que poderia ter ido muito além.

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