Novos hardwares na mesma geração? Isso é coisa nova ou não?

Olá, hoje discutimos a prática recorrente da indústria de jogos de lançar hardwares atualizados dentro da mesma geração, como o rumoroso 'PS5 Pro'.

Olá leitores, hoje venho escrever uma matéria aproveitando o fato de diversos rumores estarem se proliferando nas redes sobre o tal PS5 Pro, um console supostamente muito poderoso e que promete entregar muito aos consumidores mais exigentes, porém, essa prática de hardwares novos no meio de uma geração corrente é algo novo ou não? Para os que se fazem tal pergunta irei trazer algumas boas informações afim de clarear as atitudes das empresas na indústria dos games.

Quando nós vimos o mesmo hardware ser melhorado a primeira vez?

Na década de 90 presenciamos o surgimento da quarta geração de consoles, com o SNES da Nintendo, Mega Drive/Genesis da Sega, PC engine da Hudson soft e 3DO da Panasonic sendo lançado um pouco depois. A questão da disputa de consoles na indústria sempre foi ou sempre teve o seus personagens querendo ter o hardware mais potente não importasse como, a Sega apresentou o Mega Drive com uma tecnologia de processamento mais veloz chamada de Blast Processing que prometia entregar jogos mais rápidos e com um dinamismo maior, por outro lado a Nintendo fez a lição de casa entregando tecnologias mais de acordo com o hardware da época sem prometer grandes coisas focando na entrega de jogos first e third party com frequência. No entanto o tempo foi passando e quando chega por volta da metade dos anos 90 os rumores de novos hardwares começaram a aparecer na mídia da época ficou claro que as rivais estavam se mexendo, a Nintendo prometia um projeto ultra potente chamado Ultra 64, enquanto a Sega se via numa situação interna de indecisão, as divisões americana e japonesa estavam em choque se continuavam com o hardware do Mega Drive ou apostavam em um novo, o embate entre elas continuava, enquanto a Sega américa queria apostar em melhorias para o Mega Drive enquanto a divisão japonesa desejava inserir um novo hardware no mercado, então nós vimos algumas ações da Sega lançando periféricos que davam um belo “boost” no hardware do console, dentre eles nós tivemos: Sega CD, Sega 32X que foram os mais notáveis e uma tentativa de manter o hardware do Mega atualizado mesmo datando de 1989.

 

Uma análise mais aprofundada desses periféricos é importante, pois a indústria na época estava se modernizando e mudando principalmente os formatos de mídias, passando dos cartuchos para os CDs, então o Sega CD tinha em vista esse novo segmento buscando alcançar novos consumidores e agradar os já consumidores da marca, proporcionando novas experiências através do uso dessa nova mídia, a promessa era boa, melhores trilhas sonoras, a possibilidade de jogos mais cinematográficos entre outros eram os pilares do marketing desse acessório, porém não teve tanta adesão quanto o esperado, pois criava uma sensação de que os consumidores compraram um hardware incompleto, ou talvez caro demais para se manter. Por sua vez o Sega 32X chegava com uma proposta muito mais agressiva, prometendo literalmente uma nova geração dentro da atual geração, tentando assim fazer um hardware de 16bits alcançar os almejados 32bits da nova geração que ainda eram apenas rumores, mas mais uma vez o marketing complicado, o preço elevado do acessório e pouca adesão das desenvolvedoras em produzir novos jogos fez essa tentativa da Sega falhar, felizmente ou infelizmente.

Quando chegamos de fato à quinta geração de consoles nós tivemos então os rivais concorrendo pela nossa atenção, nosso dinheiro e quem sabe um lugar no coração.

A Sega do Japão conseguiu emplacar o novo hardware que desejava frente aos fracassos da divisão americana com seus periféricos para o Mega, então tivemos um console bastante robusto e muito potente em termos técnicos, o Sega Saturn. A Nintendo foi a que mais demorou em entregar a sua promessa de ultrarrealismo na indústria chegando um pouco atrasada, somente em 1995/96 ela entregava aos consumidores o tão falado Ultra 64 sob o nome de Nintendo 64. Nessa geração a Sony decidiu entrar na disputa como estreante sem prometer muito, apenas um hardware modesto e barato, o então Playstation chegou fazendo logo de cara bastante sucesso por ser barato, utilizava CDs para jogos e reprodução de músicas que era algo bastante popular e desejado já na época.

Com todos esses hardwares bastante interessantes e concorrentes entre si a história não poderia mudar, todas fizeram suas apostas, sejam em hardwares mais caros e robustos, hardwares mais modestos e funcionais ou até a experiência de ter um mini arcade em casa, todas elas muito boas diga-se de passagem, no entanto a corrida pelo melhor hardware não parou, em determinado momento mais precisamente em 1998 a Nintendo trouxe ao mercado um acessório chamado Expansion Pak que expandia a memória do 64 de 4MB para 8MB, hoje isso parece pouco, mas na época era um baita salto em termos técnicos, e que sem ele alguns dos mais importantes títulos do console não seriam possíveis de funcionar ou entregar uma boa experiência, a Sega por sua vez também tinha algo parecido, o Saturn contava com dois cartuchos de expansão de memória RAM, um de 2MB e outro de 4MB, porém esses eram totalmente opcionais caso o jogador tivesse um Saturn, pois eles apenas ajudavam o hardware a ficar um pouco mais “esperto” na hora de carregar os jogos. Nessa geração apenas a Sony não investiu no estreante Playstation, deixando as mudanças apenas para o controle que veio a se tornar o mundialmente conhecido Dualshock com duas alavancas analógicas, diferente do console rival Nintendo 64. Veja como a indústria já tinha recorrentemente suas atualizações de hardware dentro de uma mesma geração, mas eram todas estritamente necessárias? Nem todas, mas algumas ajudavam bastante na entrega de jogos mais ambiciosos.

O que o futuro reservava?

Pulando algumas gerações à frente, nós chegamos na oitava geração de consoles com Playstation 4 e Xbox One disputando ainda a mesma batalha, quem entrega o melhor hardware e os melhores jogos, nessa geração já com a consolidação das resoluções de imagens em níveis bastante elevados, figurando a normalização do Full HD ou resolução de 1080 pixels, ainda tinha uma disputa a mais dentro dela, mais ou menos parecida com o que tivemos na quinta geração com o Expansion Pak do Nintendo 64, porém aqui a corrida era bem mais acirrada e bem mais escalonada. Nessa geração vimos a chegada de um novo patamar visual nas televisões e monitores, o famigerado 4K, que são em termos leigos 4X mais resolução que o Full HD dessa geração, uma promessa incrível de um ganho visual nunca antes visto ou sequer imaginado nos consoles, mas os até então já defasados hardwares de 2013 que equipavam os rivais Xbox e Playstation estavam bastante longes de poderem performar tão bem a ponto de entregarem visuais com 4X mais definição para os jogadores, então houve um grande movimento dentro das empresas para entregarem a solução para se alcançar tal patamar visual, porém nessa geração não seria um simples acessório o que traria tal melhoria, foi necessário uma reformulação de todo o hardware dos consoles, foram então criados Xbox One X e Playstation 4 Pro, esses consoles prometiam mais do que apenas os tão desejados 4K, prometiam melhor performance e uma experiência de jogo “premium”, ou seja, foi-se criado uma nova geração dentro da geração corrente, o que ficou conhecido como “midgen” ou em meia geração para nós.

Mas no meio disso tudo qual foi o ganho e qual foi o custo? Esses hardwares foram grandiosos sucessos?

Bom tanto para Sony quanto Microsoft, nenhum dos hardwares foram sucessos retumbantes a ponto de fazer toda a comunidade ou a grande maioria dos jogadores migrarem dos consoles comuns para os modelos premiums, seja por valor ou por falta de sentimento de necessidade de migrar de um para outro, ou seja, esses hardwares caíram em algo parecido com o que acontece na indústria dos smartphones, quando são ofertados diferentes hardwares dentro da mesma família, como os Galaxy S, com hardwares de alto desempenho, hardware de médio desempenho e assim por diante, mas por sua vez a indústria dos games e consoles funcionam um pouco diferente, já que o console não funciona de forma isolada por si só para que o usuário tenha uma experiência completa é necessário o investimento de mais valores além do aparelho, é necessário assinaturas, compra de jogos entre outras coisas.

Mas o que isso tem a ver com o novo PS5 Pro que está tendo diversos rumores? Bom diretamente tudo, no entanto que vemos é uma novela já reprisada, um modelo de hardware totalmente refeito, com uma renovação de promessas feitas no início da geração de entrega de performance em frames por segundo e também resolução, tanto na geração passada quanto nessa temos a sensação de que os consoles foram entregues antes da hora ou até mesmo pela metade. Para muitos esses anúncios soa de forma bastante amarga, às vezes soa como enganação, já para outros soa como algo muito bom, são de fato mistos os sentimentos, mas a premissa dessa matéria é evidenciar que isso não é de hoje, já vem de algumas décadas, a crescente procura por consoles hoje é bem maior que já foi no passado, as exigências também, as tecnologias também escalonaram muito em termos técnicos – informação que vale ressaltar – então o que podemos esperar agora com o iminente anúncio desse novo modelo de meia geração? Para os menos aficionados por hardwares, especificações e números nada muda é apenas mais uma opção, só que um pouco mais cara. Por obviedade os mais aficionados por esses números e detalhes técnicos é uma boa, mesmo que o PC sempre será a maior plataforma para quem busca a experiência gráfica possível. São ainda mais novas opções por mais que hajam sentimentos de enganação ou de um hardware completo frente a um que foi lançado pela “metade” por assim dizer.

Mas e como eu fico tendo um hardware base agora que vai ter um premium?

Seguramente pela experiência da indústria nada muda, seja para quem tem um PS5 Fat ou slim, seja para quem está no Series S, já que o desenvolvimento de jogos em consoles sempre se guia pelo hardware mais modesto e logo em seguida se adapta para os mais potentes como sempre foi. Então não é e nem será no futuro próximo a necessidade de se vender os consoles base para pular para o novo premium. Nada muda nem vai mudar, podemos continuar jogando tranquilamente, aproveitando incontáveis horas de boas histórias seja solo ou entre amigos, o que o futuro nos reserva é novo hardware para quem quer algo a mais, porém a um preço mais elevado. E para a próxima geração o que vem? Bom, seguramente mais promessas, e mais hardwares de meio de geração, cabe a cada um escolher o que melhor lhe cabe.