A história
Em Saros, você assume o papel de Arjun, um explorador espacial cuja nave sofre um acidente e cai no enigmático planeta Saros. Inicialmente, sua missão é simples: sobreviver em um ecossistema extremamente hostil, encontrar um jeito de voltar para casa e reencontrar sua esposa Nitya.

O planeta Saros faz com que Arjun fique preso em um ciclo de vida e morte, renascendo no local da queda da nave sempre que morre. Durante sua jornada, ele encontra “ecos” que indicam que o planeta reage às suas memórias e traumas.
Saros envolve temas como:
- Isolamento: a luta de um homem contra um mundo que ele não entende.
- Ficção Científica e Terror: a exploração de ruínas de uma civilização antiga que parece estar conectada ao passado de Arjun.
- Memória e Luto: a narrativa foca muito em como Arjun lida com a culpa e o que é real ou fruto da sua mente.
O jogo tem dois finais e um plot twist bem interessante. Eu, particularmente, não gosto desse negócio de final verdadeiro, mas, nesse caso aqui, vou te dizer que é obrigatório.

Vou ficar por aqui para não dar nenhum spoiler.
Gameplay
Saros é um jogo de tiro no estilo “roguelike”. Ou seja, faz parte do jogo você morrer e ir evoluindo a cada “ciclo”. Durante uma “run” (ou ciclo), você coleta Lucenita ao matar os inimigos, pega artefatos que melhoram as suas habilidades e melhorias para as armas.

Ao morrer, os artefatos e seus benefícios são perdidos; entretanto, parte da Lucenita coletada é levada para a “passagem”, onde você pode comprar melhorias permanentes.
Arjun tem três atributos básicos:
- Resiliência: que define a integridade máxima da armadura (a sua vida). Quanto maior sua resiliência, mais dano você consegue suportar.
- Comando: que determina a quantidade máxima de energia que a armadura pode armazenar. A energia determina quanto tempo o escudo pode ficar ativo e a frequência com que você pode usar armas de energia.
- Ímpeto: que controla a taxa de conversão de Lucenita em níveis de proficiência. A proficiência define o nível das armas que podem aparecer no ciclo.
Se você jogou Returnal, que é o jogo anterior desenvolvido pela Housemarque, vai se sentir em casa aqui. Tirando a história e personagens que são totalmente diferentes, você poderia dizer com tranquilidade que Saros é Returnal 2.

Saros segue o mesmo estilo de “bullet hell” de Returnal com sofisticações. Como agora temos o escudo, uma parte dos tiros pode ser defletida. Claro que nada é tão simples, pois há tiros de várias cores. Azuis podem ser defletidos; amarelos causam corrupção, que reduz os pontos de vida máximos do personagem; e os vermelhos, o escudo não pode absorver. Mais para a frente no jogo, os tiros vermelhos podem ser aparados.
Tudo isso causa uma gameplay frenética: múltiplos inimigos de vários lados, tiros vindos de todos os ângulos e as cores diferentes dos tiros ainda te obrigam a tomar ações diferentes para cada tipo.

Tenho que confessar que foi demais para o Coroa aqui. Simplesmente não tenho mais reflexos aqui, no auge dos meus 58 anos, para tanta informação. Mas não desanime, tenho boas notícias!!
Saros é muito mais acessível que Returnal. Enquanto Returnal tinha a opção de Coop e chamar alguém para te ajudar, aqui temos várias ferramentas para ajustar o jogo ao seu nível de habilidade.
Como eu disse acima, temos a árvore de habilidades que, basta você ficar farmando e fazendo grind, que consegue melhorar seu personagem até um limite. Para a árvore evoluir, em algum momento, será obrigatório matar o chefe.
Usar os Modificadores Carcosanos: aqui você pode ajustar o jogo tanto para mais difícil quanto para mais fácil. Por padrão, o jogo limita entre -3 e +3 de dificuldade, mas você pode tornar isso “ilimitado” no menu de jogabilidade. Digo isso entre aspas pois, mesmo no ilimitado, há um limite da quantidade de modificadores que você pode escolher.
Sem vergonha nenhuma, confesso que abusei dos modificadores e, mesmo assim, o jogo foi desafiador para mim. Muitos amigos, entretanto, acharam tudo super fácil e passaram de primeira dos chefes. Minha sugestão, portanto, é: jogue no padrão e ajuste conforme achar necessário.

A moral da história é que qualquer pessoa pode jogar Saros, já que eu consegui!
O jogo usa um sistema de recarga de armas semelhante a Gears of War. Quando a munição da arma acaba, você tem uma janela de tempo para fazer uma recarga mais rápida caso acerte.
Além dos combates, o jogo também te apresenta desafios de plataforma interessantes.

Com relação a Returnal, eu achei os mapas mais “fixos”. Quem jogou Returnal sabe da aleatoriedade dos ciclos, mas, em Saros, eu achei os mapas mais simples, o que na minha percepção ficou melhor.
Por fim, os chefes. Como todo jogo, tem uns mais empolgantes e outros mais simples. No geral, achei interessantes. Todos os chefes têm três fases, então se prepare para isso.
Aspectos técnicos
Agora vamos abordar a parte técnica do jogo. Joguei no PlayStation 5 Pro. O jogo corre a 60 fps com resolução interna de 1440p e upscale para 4K usando o PSSR2 e tem um único modo de jogo. Nada de performance ou qualidade aqui.
No PS5 base, o jogo roda a 1224p internamente com upscale para 4K usando FSR.
Saros usa o Unreal Engine 5, com todas as capacidades técnicas do motor: Nanite para a geometria e Lumen para a iluminação global por Ray Tracing.

Para o sistema de partículas, Saros usa uma propriedade intelectual proprietária para gerar os efeitos dos inimigos morrendo e dos tiros, o que é super bem implementado.
Ao contrário de muitos jogos com UE5, Saros está super bem otimizado, sem os famosos stutters típicos desse motor. Se tem, eu não consegui perceber, e olha que sou bem chato com isso.
Um motivo para isso é que os gráficos são bonitos, mas não são excepcionais. Os biomas são em geral simples. Bonitos, mas simples, e isso favorece bastante a otimização.
Embora o jogo rode a 60 fps, as cutscenes são executadas a 30 fps. Eu, particularmente, não gosto, parece que o jogo fica em “stop motion”. Eu achei a modelagem das cutscenes em alguns momentos ótima e em outros bem ruim. A atuação e representação visual também achei que deixaram a desejar. Teve uma hora em que uma personagem estava chorando e, na cutscene, estava mal representada.

O jogo tem dublagem em português do Brasil e, como em todos os jogos da Sony, ela é super bem-feita e de alta qualidade.
Tal como em Returnal, a implementação do controle DualSense é de primeira. Ótimo uso dos gatilhos adaptáveis, com vários níveis de acionamento. Por exemplo, se você leva o gatilho esquerdo até a metade, a arma principal dá um tipo de tiro, e se leva ao final, ativa a arma de energia. É tudo super bem-feito.

Por fim, o som 3D é tão bom que é praticamente obrigatório jogar com fones de ouvido, pois isso te ajudará a detectar a posição dos inúmeros inimigos que aparecem de todos os lados.
Opinião
Levei 31 horas para finalizar Saros e, pela dificuldade, zero chances de eu sequer pensar em platinar. Isso é só para os amigos ninjas.
Se você jogou Returnal e gostou, não tem nem o que pensar. Saros é a continuação espiritual do jogo e vai te trazer bastante diversão.
Se você tem receio de não dar conta de Saros por ser um roguelike, não acredito que será um problema. Como disse antes, eu consegui e tem muitas ferramentas para te ajudar.
Portanto, a decisão aqui é mais do tipo se você gosta de jogo de tiro ou não. Isso é mais relevante que o roguelike dele. Claro que é preciso considerar que roguelike implica uma certa repetição, e se isso for um problema para você, talvez Saros não seja onde você deve pôr seu dinheiro.
