The Blood of Dawnwalker | PS5

The Blood of Dawnwalker superou as expectativas? Confira nossa análise completa do novo RPG de vampiros da Rebel Wolves e descubra. Leia agora!

Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, e os ex-desenvolvedores de The Witcher 3 sabiam disso quando se juntaram para criar a Rebel Wolves, estúdio responsável pelo game. Eles não perderam tempo!

Sobre a leitura a seguir: – Clique para expandir
  • Recebemos a chave de ativação da Bandai Namco Brasil! Obrigado, vampirões!
  • O game foi jogado no PlayStation 5 base.
  • O idioma jogado foi o inglês, porém a localização em PT-BR está disponível.
  • A análise vai focar apenas nos pontos mais relevantes do jogo.
  • Farei o possível para evitar spoilers!
Um pouco sobre minha paixão por vampiros…

Mandar um jogo desse para alguém como eu, que ama vampiros, que é fascinado por mundos obscuros e apaixonado por escolhas com consequências, parece uma trapaça. Mas não é. Eu passei a gostar muito desse tipo de jogo quando tive a oportunidade de jogar Vampire: The Masquerade – Bloodlines, lá por 2005. Na época, tinha um computador horrível (com a desculpa de que era para a escola). Minha família mal podia pagar por essas coisas, mas fez um sacrifício enorme e eu consegui uma cópia de Bloodlines com um amigo de escola (não era original, é claro; no Brasil era impossível ter algo original quando se falava de games, pois a economia era muito difícil).

Ali, eu fui completamente capturado pelo jogo: os personagens, a ambientação sinistra e a história cruel. Esse título ficou comigo desde então. Inúmeros games que falam sobre vampiros foram lançados ao longo de duas décadas, e nenhum chegou perto do que Bloodlines conseguiu fazer. A decepção com Bloodlines 2 foi tão brutal que todos sabiam que o game seria ruim anos antes de ser lançado, por mais irônico que pareça. Isso não aconteceu só comigo, mas com inúmeras outras pessoas ao redor deste vasto mundo. E aí eu te pergunto: será que The Blood of Dawnwalker é só mais um jogo qualquer de vampiros? Vem cá que eu te conto…

O que é The Blood of Dawnwalker?

The Blood of Dawnwalker é um RPG de ação e Dark Fantasy de mundo aberto, ambientado na Europa nos anos de 1340. Nele, vampiros dominam um vilarejo, te transformam em um deles e fazem com que você precise lutar para resgatar sua família.

Desenvolvido pela Rebel Wolves e distribuído pela Bandai Namco, o game foi lançado no dia 3 de setembro de 2026. É o primeiro título do estúdio e já alcançou sucesso nos seus primeiros dias de vida: Dawnwalker conseguiu vender mais de 1 milhão de cópias e reuniu mais de 80 mil pessoas jogando simultaneamente no Steam.

A história de The Blood of Dawnwalker

Em Dawnwalker, você joga como Coen, um camponês que vive com sua família em um lugar chamado Vale Sangora, inspirado nos países do leste europeu. As coisas não são fáceis: o senhor feudal maltrata o povo e as pessoas são oprimidas constantemente. Para piorar, uma praga começou a se espalhar, quase dizimando os pobres camponeses, e a família de Coen não é exceção.

Lunka contrai a doença e, em desespero, Coen foge com sua irmã adoecida nos braços para que a guarnição do vilarejo não a encontre. Afinal, como a praga se espalha, é preciso dar fim à pessoa que a contraiu antes que a doença continue avançando. Mesmo que seja apenas uma criança, a regra é clara e vale para todos. Contudo, algo que ninguém esperava acabou acontecendo: nesse mesmo período, um grupo de vampiros apareceu e tomou o poder no vilarejo. Eles eram liderados por Brencis.

Brencis é um vampiro muito antigo, vivo desde o Império Romano, que já viu muito deste mundo. Junto aos seus generais, ele governa a região, mas eles são tão cruéis quanto os antigos governantes. Monstruosidades andam entre as pessoas e a religião é mudada aos poucos. Onde antes Deus era louvado, agora são colocados quadros, pinturas e bandeiras de uma aberração vinda de fora: os Vrakhiri (vampiros). O preço para os camponeses terem essa “paz” é “um pouco de sangue”. Missas são organizadas para ensinar que todos devem sua vida a Brencis, o salvador que livrou os humanos de um governador tirano. Segundo o próprio sacerdote que regia a missa, que mais parecia um culto: “O pastor não merece ser recompensado por tomar conta de suas ovelhas? Ele não merece ser alimentado?”, tudo isso enquanto ensina que os vampiros são praticamente anjos do Senhor.

Após um tempo, as pessoas se cansaram de ser manipuladas, da opressão e dos sacrifícios de sangue, decidindo planejar uma rebelião. O pai de Coen é um ex-militar, tem experiência em combate e, claro, foi chamado para fazer parte dela, tentando libertar o vilarejo da tirania de Brencis e seus aliados. Como esperado, a rebelião falhou miseravelmente e muitos foram mortos. Coen, no entanto, foi transformado em vampiro por Brencis e lhe foi dada uma escolha: ele seria o “novo filho” do mestre, mas para isso precisaria provar lealdade matando seu próprio pai, o líder rebelde.

Coen obviamente recusa a proposta e desafia seu progenitor para um duelo. Brencis destrói Coen facilmente e o deixa preso a uma árvore para morrer, já que o sol iria nascer e, como sabemos, vampiros não se dão bem em situações ensolaradas. A família do protagonista é capturada e será usada como sacrifício num ritual macabro por Brencis em 30 dias, onde ele se tornará o governante absoluto em um evento chamado de “A Coroação”. Você, Coen, é resgatado por alguém misterioso e, enfim, descobre que não é um vampiro comum, mas sim um Dawnwalker: alguém que de dia é humano, mas ao cair da noite se transforma em um Vrakhiri. Preso entre os dois mundos, você precisará se fortalecer, encontrar aliados e resgatar sua família. É aqui que o jogo começa.

O mundo de Vale Sangora

O Vale Sangora é um lugar afastado do resto do mundo, cercado por montanhas, onde as pessoas vivem em comunidades pequenas — com a exceção da grande capital de Svartrau, onde o governante Brencis fica em seu castelo gigante. O local lembra muito o leste europeu: temos ursos, veados, coelhos, florestas com pântanos e construções extremamente antigas e esquecidas pelas pessoas. Existem conventos mal-assombrados, e o sobrenatural anda lado a lado com as pessoas comuns. Maldições são uma realidade e fadas se escondem de olhos curiosos. Mas tudo muda ao cair da noite; é só a lua dar as caras que os vampiros aparecem e tomam conta da escuridão.

Não se engane: a descrição que dei não o faz parecer um conto de fadas. Se você visse as coisas que eu vi, diria que é um conto de terror dos mais pesados. Pessoas morrem aos montes todo dia devido à fome e à praga, e seus governantes não fazem nada. Eles apenas as “cultivam”, pois são apenas comida. Os generais de Brencis são corruptos, hostis, pensam apenas em si mesmos e pisam em quem estiver em seu caminho. Nem mesmo a religião nativa do povo do Vale é permitida. Lá, eles são obrigados a adorar os vampiros. Templos escondidos ainda existem, mas o medo é mais forte e eles permanecem ocultos.

A desconfiança é alarmante. Bandidos rondam por todos os locais causando o caos, e espíritos e assombrações bizarras dominam os arredores das cidades. A corte de Brencis controla tudo o que o povo faz, em meio a festas luxuosas para seus generais. A situação é tão grave que, às vezes, ao caminhar pelas florestas, notamos pessoas mortas não por bandidos ou criaturas, mas por preferirem tirar a própria vida a continuar vivendo naquele inferno. E nem mortos eles têm paz, pois no Vale Sangora os corpos se levantam de suas tumbas e atormentam os vivos, seja por rituais antigos ou pela influência sombria da noite.

A jogabilidade de Dawnwalker

Em The Blood of Dawnwalker, temos um combate dinâmico dividido em duas áreas: dia e noite. Na forma humana, temos acesso a habilidades da árvore de vantagens voltadas para “bruxaria e domínio da espada”. Já à noite, além dessas duas opções, ganhamos acesso aos poderes de vampiro. Ou seja, você pode usar espadas ou garras, habilidades vampíricas ou feitiços. Como existem vários equipamentos com atributos diversificados, podemos montar inúmeras builds. O jogo te dá muita liberdade, e a jogabilidade como vampiro é viciante!

Temos sistema de parry, bloqueio comum e podemos substituir a espada pelas garras. As novas habilidades são desbloqueadas subindo de nível, fazendo missões, enfrentando inimigos ou comprando livros. O combate parece uma mistura de The Witcher 3 com Kingdom Come: Deliverance, pois atacamos e defendemos usando os botões de direção para guiar a lâmina. Com os poderes devastadores à nossa disposição, este é um jogo no qual, se você souber o que está fazendo, vai se tornar o verdadeiro “chefão” da região.

Existe também a mecânica da Corte de Brencis, que lembra o sistema moderno de Assassin’s Creed. O líder e os demais chefes ficam “escondidos” até fazermos algo que os provoque. As atividades criminosas deles estão espalhadas pelo mundo, e precisamos usar torres para liberar pontos de interesse no mapa (que é bem grande). Chegando a um deles, podemos ver os soldados de Ambrus, por exemplo, guardando um local onde é extraído sangue dos camponeses. Ao destruir essa base, irritamos o chefe. Essas ações consomem tempo, mas enchem uma barra que permitirá enfrentar os generais.

Referência a Silent Hill?
Infâmia e Consequências

Cada vez que você frustra os planos de Brencis e companhia, o seu nível de “Infâmia” sobe. As coisas vão ficando mais difíceis: a capital pode ser fechada para você, os guardas te reconhecem instantaneamente e, toda vez que no dia seguinte rolava a animação anunciando um novo decreto, eu já sabia que não vinha coisa boa.

Nem tudo são flores…

Preciso ser sincero: o game ainda tem alguns problemas técnicos. Em certos momentos, você pode ficar preso nos cenários. Eu fiquei com a câmera travada em inimigos, não conseguia trocar de alvo e cheguei a entrar dentro de paredes. Em algumas ocasiões, eu não queria enfrentar os inimigos e passava correndo, mas o jogo, do nada, parava a minha animação e forçava o combate. Sair de uma luta indesejada é frustrante, porque as suas ações ficam limitadas: não consigo guardar a arma e não é possível pular ou usar habilidades de movimentação rápida para fugir.

Há também bugs nas habilidades, como o teletransporte (“Vulto das Sombras”). Eu escolhia onde queria ir, o game me levava até lá, mas o personagem caía no vazio e morria. E morrer em Dawnwalker é terrível, porque se você não tiver o hábito de salvar manualmente a todo instante, vai perder muito progresso com o salvamento automático espaçado.

Por fim, o jogo está pesado. Joguei no PlayStation 5 base e preferi o modo “Equilibrado” para ter uma experiência mais estável. Mesmo assim, enfrentei algumas quedas de framerate que atrapalharam de leve a jogabilidade. Nada imperdoável, mas notável.

A mecânica polêmica do tempo!

Quando anunciaram o game e falaram da mecânica de passagem de tempo, muita gente virou a cara. Eu acho um absurdo, porque ela funciona perfeitamente! Você tem prazo mais do que suficiente para fazer o que quiser até a data da “Coroação”. No meu playthrough, consegui várias armaduras e armas lendárias, fiz missões secundárias, engatei romances, enfrentei criaturas grotescas, explorei o mapa e ainda me sobravam 15 dias para salvar a família. E, vale lembrar, você pode terminar o game de diversas formas, nem sendo obrigatório resgatar seus parentes.

Como funciona? Em Dawnwalker, missões importantes custam dias. Toda vez que você faz algo relevante para a história, o jogo te avisa exatamente quanto tempo aquela atividade vai consumir. Você só a realiza se realmente quiser. A progressão flui naturalmente.

Afinal, o tempo não espera por ninguém!

Escolhas e Consequências

O principal atrativo de um RPG de respeito é o role-play. Em The Blood of Dawnwalker, suas decisões têm um peso absurdo. Você pode matar sua própria família no prólogo se cometer erros. Na forma de vampiro, com a saúde (sangue) baixa, a besta interna toma o controle e você corre o risco de estraçalhar quem ama. Após derrotar os generais inimigos, podemos convidá-los a “viver dentro de nós”, em vez de condená-los ao inferno dos vampiros. Essa escolha rende diálogos únicos enquanto exploramos o mundo, enriquecendo a lore.

As escolhas afetam quem vive, quem morre, as alianças e os diversos finais do jogo.

Opiniões Finais

Eu amo quando os devs se dedicam a colocar muito esforço e carinho em seus projetos, e esse é o caso com Dawnwalker. Eu me apaixonei desde que vi o primeiro anúncio; só de saber que eram ex-devs de The Witcher 3, um game que amo tanto, eu já fiquei feliz. E, admito, Dawnwalker é bem similar: eles se aproveitaram do conhecimento e enalteceram a visão artística que tanto gosto. Os inimigos, os gráficos, a ambientação, é tudo tão similar; eu me sinto em casa jogando com Coen. Inclusive, eu comprei a edição de colecionador após o vídeo que mostrava de forma estendida como funciona o game e o seu mundo, e fiz questão de comprar a Steelbook, e não me arrependo! Até aí o estúdio caprichou, é muito amor envolvido…

Acho que, tirando Bloodlines, que é de fato o jogo definitivo de vampiro, e a DLC do Skyrim, Dawnguard, acho que não tem outro jogo de vampiro que tenha conseguido me fisgar tanto assim. Claro, poderia falar de Legacy of Kain, que é muito importante para mim desde a época do PlayStation 1, eu faço questão de ter esse jogo na Steam, GOG, PlayStation 1, PlayStation 5 e Dreamcast, mas Blood of Dawnwalker superou todas as minhas expectativas. Eu fiquei tão feliz com o game que fiz até um sorteio no X para que mais alguém pudesse jogá-lo.

A sensação de poder se transformar em um lobo à noite, usar a habilidade vampírica para pular de prédio em prédio, subir nas torres enormes do game e olhar o mundo ao redor sob o luar assombroso do Vale Sangora é algo quase indescritível, é uma sensação tão boa.

Amo poder desmembrar os inimigos com as garras de Coen, de enfrentar aberrações sinistras no meio da floresta, da forma como o sobrenatural se associa com as pessoas comuns, da sensação de estar em um conto de fadas macabro. Acredito que esse jogo foi feito para mim. Gosto do visual do protagonista e, acima de tudo, das escolhas que fazemos. Podemos ser simplesmente tão ruins quanto Brencis se quisermos, e nos corrompermos com os poderes de vampiro que adquirimos, mas, no fim das contas (eu até esqueci da família em certos momentos), os personagens são bem cativantes. Eu amei a Lacra, que também é uma vampira e bem divertida e desmiolada; a Anca, que é a “bruxa curandeira” do vilarejo, é bem legal. Quem quer que tenha escrito esses personagens sabia o que estava fazendo.

E assim, aos meus olhos, Dawnwalker é um jogo onde você caminha entre dois mundos, nunca pertencendo completamente a nenhum deles, e quanto maior o seu poder, mais fortes são as correntes para te controlar. Afinal, o tempo não espera por ninguém, então faça suas escolhas sabiamente nesse mundo cruel.

Veredito

Se você, assim como eu, esperava um jogo definitivamente bom, criativo e bem escrito sobre vampiros, a sua hora chegou. Saia do seu sarcófago e viaje para Vale Sangora. Rebel Wolves, a partir de hoje, vocês estão em meu coração. Mal posso esperar para ver o que farão no futuro!

Pontos positivos – Clique para expandir
  • Jogabilidade muito divertida.
  • Muitas habilidades para aprender.
  • A história é fantástica.
  • Escolhas pesadas e relevantes.
  • Variedade de builds.
  • Personagens muito bem escritos.
  • Trilha sonora de qualidade.
  • Está localizado em PT-BR.
  • Levei 48 horas para fazer tudo o que queria no game, ele não é curto.
Pontos negativos – Clique para expandir
  • Está mal otimizado nos consoles base; recomendo jogar no modo equilibrado.
  • Ainda tem bastantes bugs.
  • A mecânica de tempo pode afastar algumas pessoas que não a conhecem direito.
  • O preço digital nos consoles é bem caro (R$ 399,90), porém, se você comprar a mídia física, pode pagar menos de R$ 300,00 se souber procurar.

É isso, pessoal, obrigado por lerem a minha análise. Tentei ser o mais sincero possível, e o jogo me deixou feliz demais. Fiquei internado nesse jogo e aproveitei o feriado para devorar tudo o que pude nele, vi todos os finais praticamente, com exceção de um, e posso dizer: valeu cada centavo!