Quando um estúdio quer mostrar do que é capaz e quer se provar para aqueles que duvidam de sua capacidade, eles apostam alto e, pode ter certeza, às vezes, eles falham nessa aposta. Mas pode ficar tranquilo: a Game Freak tem talento e ambição de sobra! E se tinha alguém que duvidava da sua qualidade, ah, depois de Beast of Reincarnation, eles vão ter que acreditar… Confira a nossa análise e entenda o porquê!
Clique aqui e veja os detalhes da análise antes de começar.
Essa análise não tem spoilers!
O game foi jogado em inglês; o idioma português do Brasil está disponível.
Beast of Reincarnation foi jogado no PlayStation 5 base, no modo qualidade.
Recebemos a chave da Game Freak! Obrigado pela confiança, pessoal!
Levei cerca de 43 horas para finalizar o game.
Aqui você encontra os pontos-chave e mais impactantes do game.
Todas as imagens dessa análise foram enviadas pela Game Freak para respeitar o embargo e vêm de conteúdos e capturas de tela promocionais do jogo!
O que é Beast of Reincarnation?

Beast of Reincarnation é um RPG de ação bem desafiador, com foco em mecânica de parry e muitas habilidades e possibilidades de builds diferentes. O jogo foi desenvolvido pela Game Freak, sim! Ela mesma, e publicado pela Fictions. Seu lançamento está previsto para 3 de agosto de 2026!
Por que Beast of Reincarnation é tão importante?

Beast of Reincarnation foi desenvolvido pela Game Freak, o pessoal responsável pelos games da franquia Pokémon. Eles são jogos bem divertidos e que as pessoas apreciam totalmente; eu me incluo nesse meio. Comecei de vez na franquia Pokémon com o Pokémon Sword, por exemplo. É bem recente, eu sei, mas joguei o Legends Z-A, FireRed, e atualmente estou em uma jogatina no Moon, no meu 3DS. É uma franquia de que passei a gostar, e acho o time talentoso, criativo e que foca em criar jogos divertidos, e diversão é uma qualidade tremenda para quem quer criar jogos.
Ainda assim, muita gente tem várias críticas aos jogos desenvolvidos pela Game Freak, seja pela qualidade gráfica, ou, às vezes, por ideias que não funcionam tão bem, ou bugs. E isso gerou um debate, e o debate é: será que essas falhas são culpa dos desenvolvedores? Ou das possíveis limitações da Nintendo? Será que Beast of Reincarnation vai sofrer com isso? Pois é… As dúvidas foram sanadas, e eu fico extremamente feliz em dizer que o pessoal da Game Freak é extremamente talentoso e sabe o que está fazendo, então vamos logo falar sobre o seu mais novo lançamento…
A história de Beast of Reincarnation

Não se preocupe, eu não vou dar spoiler de nada, então tentarei passar os sentimentos que tive jogando de uma forma que dá para entender aonde o game vai, mas sem estragar a experiência. Então, serei breve e direto ao ponto.
Em Beast of Reincarnation, jogamos com Emma, alguém que tem um problema sinistro e é vista com desdém pelos demais. Ela se isola do resto das pessoas e tem como companhia o nosso fiel lobo — ou cão, acho que é um lobo, na verdade —, e ele se chama Koo. E quando se fala em companheiros em jogos, esse aí é importante demais! O mundo ao nosso redor é repleto de podridão, um cenário pós-apocalíptico e futurístico (o jogo se passa no ano de 4026), onde o que nos resta é caminhar por um mundo outrora cheio de vida e pessoas, mas que atualmente contém criaturas atormentadas por uma podridão que se espalha cada vez mais. Vemos restos e resquícios de uma civilização que parecia ser evoluída, mas que sucumbiu…
Em vários momentos, eu me senti muito sozinho no game. Se não fosse a companhia do nosso fiel Koo, a coisa estaria sinistra, mas eu acredito que é proposital. Beast of Reincarnation me lembra um pouco uma mistura de Nier e Sekiro. Nier no sentido das músicas que tocam durante o jogo e de um cenário pós-apocalíptico semelhante, basicamente no estado em que o mundo se encontra. E quando falo Sekiro, é mais sobre o combate mesmo. Mas o que me fez ficar pensativo quanto ao game é a forma como o sentimento mudou durante a jogatina. A ideia é viajar pelo mundo derrotando os chefes e aberrações pelo caminho, absorver seus poderes e derrotar a Fera da Reencarnação. Até aqui tudo bem, mas o jogo consegue falar sobre sacrifício, lealdade, a importância das recordações e a tristeza de esquecer. Vou parar por aqui, senão vou acabar falando demais, mas fique com essa frase do game para você pensar um pouco:
“Se você tivesse a chance de trazer de volta à vida alguém que você ama, o que faria?”
A estrutura de Beast of Reincarnation

O game é dividido em áreas, e elas variam em tamanho. Lá temos muitos inimigos que guardam itens escondidos, itens que são extremamente necessários para a nossa build e melhoria de armas. Ainda podemos encontrar NPCs mercadores; esses são bem necessários, já que podemos vender certos itens para nos fortalecermos.
Temos uma espécie de veículo que parece algo vindo direto de Star Wars. Nele podemos descansar e melhorar nossa arma e habilidades; dá para plantar algumas frutas e legumes, e cultivar ovos que serão usados por outro NPC que você vai conhecer mais depois no game para cozinhar. Isso nos dá buffs para seguir em frente. Conforme jogamos, aumentamos nosso conhecimento, e com ele podemos cozinhar mais pratos de comida diferentes e aprimorar ainda mais nossas armas. Podemos também fazer carinho no nosso cão. Temos um vínculo entre ele e nossa personagem que, conforme jogamos e executamos certas ações, evolui e aprimora nossa experiência.
A jogabilidade é o ponto forte do jogo

Se eu pudesse descrever o combate de Beast of Reincarnation, eu acho que seria uma mistura de Sekiro com Nier Automata. Nier no sentido de que temos um parceiro e uma personagem feminina em um mundo pós-apocalíptico, com músicas muito bem produzidas e que combinam com o que está acontecendo ao nosso redor. E quando me refiro a Sekiro, eu digo que o combate é completamente focado no parry. Temos uma esquiva, sim, de fato, mas é mais prático usar o parry, além de que temos várias habilidades extremamente importantes e que mudam o game completamente.
O principal atrativo é o sistema de “entanglement”, no qual usamos raízes de árvores — nosso poder, digamos assim — para nos aproximarmos de nossos inimigos e ganharmos vantagem ao invocarmos uma planta. Usamos nosso “gancho” para nos locomovermos rapidamente até ela e atacarmos o inimigo de cima com toda a força, usando as outras habilidades. Podemos parar o tempo por curtos períodos e destruir a barra de vida de chefes e outros inimigos.
Não posso esquecer de mencionar nosso fiel companheiro, Koo. Ele é incrível e nos ajuda muito com suas habilidades: ele pode nos curar, gerar efeitos negativos nos inimigos e matá-los sorrateiramente. Ele é crucial para o combate. Distante é a época em que os nossos companheiros em jogos eram inúteis; aqui, Koo é indispensável, ele é a nossa metade. E mesmo nos momentos em que você vá se sentir sozinho, esse efeito diminui muito com a presença dele. É a mecânica diferencial do game, e ela é extremamente bem feita, muito bem estruturada e executada. Enquanto você defende os ataques dos seus inimigos com o parry, Koo está lá aterrorizando-os com debuffs, danos brutais e habilidades devastadoras, e quando você precisa lutar sem tê-lo por perto, a diferença é sentida imediatamente.
A dificuldade do combate é visível. Quando recebemos a chave de acesso ao game e lemos as regras sobre embargo e um resumo do que esperar, os devs foram claros em dizer que, apesar de termos opções de dificuldade, Beast of Reincarnation foi feito com a ideia de ser difícil e desafiador em mente. Portanto, o game é difícil, mas é justo, e quando você pega o jeito, ele fica muito agradável.
No começo, o combate é um pouco duro, meio travado, mas conforme você continua jogando e se habituando ao padrão de ataque dos inimigos, e libera novas habilidades como o desvio duplo, o jogo fica muito mais fácil e fluido. E, na minha opinião, é um dos combates mais divertidos que já experimentei.
Podemos ter inúmeras builds diferentes baseadas em raio, trovão, veneno, dano puro; não importa. As habilidades e itens que encontramos, as armaduras de proteção… Todos esses itens fazem uma diferença colossal na hora de jogar. A estrutura de jogo é perfeita em sua construção de jogabilidade. Demorei um pouco para me acostumar com o jogo, mas, por fim, amei a jogabilidade. A build que fiz funciona em torno de recuperar minha vida perdida através do dano das minhas habilidades e das habilidades do nosso cão companheiro. Essa build é letal e facilitou muito a minha vida.
Após algumas horas de jogo aprimorando a árvore de habilidades (que tem muitas habilidades para aprendermos), e muitos níveis depois (aliás, níveis esses que conseguimos derrotando inimigos), as coisas ficam mais fáceis. Só precisamos entender quais habilidades são cruciais para a nossa personagem. Ah, já ia esquecendo: temos as famosas “bonfires”, fogueiras, igual a Dark Souls, onde podemos salvar nosso progresso, melhorar nossas habilidades, resetar os inimigos da área e outras funções.
Nem tudo é perfeito…

Vou direto ao ponto: o que mais me incomodou no game foi a pouca variedade de inimigos. E apesar de me divertir muito nas batalhas contra chefes, eu preciso dizer que senti um pouco de falta de uma variedade ali. Eu entendo o propósito de eles serem como são, mas também acho que poderíamos ter algo diferente ali. Não posso falar tanto para não entregar a experiência, mas entendo que isso fica visível após algumas boas horas de jogo. Acho que talvez essa seja a única coisa que me incomodou no game… Bom, achei as expressões faciais um pouco abaixo do esperado, mas não é algo que me incomode em jogos. Talvez incomode alguém, mas não a mim.
Preocupado com a Performance?

Eu tenho um PlayStation 5 padrão, não é nem o Slim, e o Beast of Reincarnation rodou perfeitamente no modo qualidade, sem quaisquer problemas. Para ser sincero, eu tive quedas de frames em dois momentos específicos: um por volta de 20 horas de jogatina, durante uma batalha contra inúmeros inimigos (mas a queda de frames passou rapidamente), e, por fim, na batalha final durante uma cutscene, e somente.
Opiniões

Beast of Reincarnation é um dos jogos mais interessantes e cativantes que pude jogar em 2026. Jogando, eu pude verificar a influência de outros jogos, e dá para sentir que os devs colocaram muito carinho e trabalho duro nesse game. Fico extremamente feliz com o resultado. Acredito que é uma aposta que deu frutos, e quando Beast of Reincarnation for lançado de fato, as pessoas vão poder aproveitá-lo ao máximo.

Ele custa R$ 249,99 na PSN e Xbox Store (Ele estará disponível no Game Pass Ultimate Day One) e R$ 199,99 na Steam em suas versões base. O jogo está com o preço bem abaixo do que os grandes lançamentos cobram, mas te digo: ele não é um jogo curto, e para mim isso já é animador. Até porque as 43 horas que levei para terminar passaram voando, pois o jogo é bem direto, não tem tanta coisa secundária para se fazer. Também não encontrei bugs a ponto de precisar voltar o meu save e raramente tive problemas de desempenho rodando no modo qualidade. E seguramente posso dizer que é uma das experiências mais gratificantes que tive este ano.
Veredito
Beast of Reincarnation é um excelente jogo, ele mostra o potencial da galera da Game Freak, e fico imaginando o que mais eles vão nos trazer no futuro, se esse é para mostrar do que são capazes, então meus parabéns, eu estou vendido, fico feliz por ter passado essas mais de 40 horas jogando, aprendendo builds, e claro, curtindo esse combate gostoso e divertido. É difícil não recomendar um jogo extremamente divertido e bem feito custando menos de R$ 300,00 hoje em dia.
Pontos positivos – Clique para expandir
Jogabilidade excelente.
Trilha sonora bem feita.
Com tanto jogo saindo a R$ 400,00, é uma bênção achar algo desse calibre por menos de R$ 300,00.
Gráficos são bem legais.
Está localizado para PT-BR!
O desempenho está excelente no console.
Temos NG+ e uma nova dificuldade ao finalizar a campanha.
Praticamente não tive bugs.
O sistema de habilidades é extremamente funcional, e criar builds é bem fácil.
A história do jogo é algo que vai depender do seu gosto; eu, particularmente, gostei.
Pontos negativos – Clique para expandir
Pouca variedade de inimigos.
A expressão facial durante os diálogos não é das melhores.
Talvez você possa achar alguns personagens um pouco “mornos” em certos diálogos, meio desinteressantes.
