Gears of War: E-Day no Xbox Series S surpreende | Review

Gears of War: E-Day marca o retorno de Marcus Fenix e Dom em uma campanha ambientada no Dia da Emergência. Jogamos tudo no Xbox Series S e analisamos história, gráficos, Kalona e desempenho

Gears of War: E-Day | Xbox Series S

Gears of War: E-Day traz Marcus Fenix e Dom de volta às origens da franquia em uma campanha ambientada no Dia da Emergência. Jogamos no Xbox Series S e contamos como estão história, gráficos e desempenho do novo Gears.

Sete anos depois de Gears 5, a franquia está finalmente de volta com um jogo inédito da série principal. Só que, em vez de continuar avançando na cronologia, a The Coalition decidiu voltar justamente para onde tudo começou.

Gears of War: E-Day nos leva ao Dia da Emergência e apresenta um Marcus Fenix bem mais jovem, mas nem por isso inexperiente. É uma decisão que inicialmente poderia parecer apenas uma desculpa para explorar a nostalgia dos fãs, mas funciona muito bem dentro da proposta do jogo.

A convite da Xbox Brasil, tive a oportunidade de jogar Gears of War: E-Day antecipadamente e completei toda a campanha no Xbox Series S. E já adianto uma coisa: fazia tempo que um Gears não me empolgava assim.

História

Gears of War: E-Day nos transporta diretamente para o Dia da Emergência, o momento que mudaria Sera para sempre.

Temos um Marcus Fenix mais jovem, ainda marcado pela guerra e carregando seus próprios conflitos, acompanhado novamente por Dominic Santiago. É interessante acompanhar esses personagens antes de eles se tornarem exatamente as figuras que conhecemos nos outros jogos.

Além de Marcus e Dom, E-Day apresenta Mags Carter e Lucas Reyes, dois novos personagens jogáveis que completam o Esquadrão Bravo. Mags é uma veterana, enquanto Lucas ainda é um jovem cadete e oficial de comunicações.

A dinâmica entre os quatro funciona muito bem, mas obviamente o grande destaque continua sendo Marcus e Dom. E-Day aproveita a oportunidade para mostrar como essa parceria ficou tão forte.

Não estamos acompanhando dois caras que já passaram anos enfrentando Locust. Aqui, praticamente ninguém entende direito o que está acontecendo. O inimigo surge de repente e aquilo que começa como uma ameaça desconhecida rapidamente se transforma em uma guerra pela sobrevivência. Essa sensação de caos é uma das melhores coisas da campanha.

Ao mesmo tempo, a The Coalition não tentou transformar Gears em algo que ele nunca foi. A campanha continua bastante linear, ainda que Kalona ofereça áreas maiores para exploração e locais que revisitamos durante a história. E, sinceramente?Para mim isso funciona.

Gears nunca precisou virar um enorme mundo aberto. E-Day entende muito bem isso.

Kalona é praticamente outro personagem

Se existe algo que me surpreendeu bastante em Gears of War: E-Day foi Kalona. A cidade não serve simplesmente como um cenário genérico para colocar Marcus e companhia enfrentando Locust. Ela vai mudando conforme a situação fica cada vez pior.

A própria The Coalition explicou que construiu Kalona como uma cidade completa e que a intenção era justamente fazer o jogador criar uma ligação com aquele lugar durante a campanha. E isso aparece claramente durante o jogo.

Você passa por ruas, becos, edifícios, áreas subterrâneas e regiões completamente diferentes da cidade. Alguns lugares que pareciam relativamente normais em determinado momento podem estar completamente transformados quando você retorna. Existe quase uma espécie de “Levolution” de Battlefield aplicada ao universo de Gears.

A invasão vai tomando conta da cidade, partes do cenário mudam, estruturas enormes desabam e os Locust passam a surgir de onde você menos espera. É uma escalada constante.

Em alguns momentos estamos no subterrâneo. Em outros, no alto dos prédios. Depois estamos novamente no meio das ruas tentando avançar enquanto tudo ao redor parece estar desmoronando. Kalona vai deixando de parecer uma cidade e começa a parecer uma zona de guerra. É provavelmente um dos melhores trabalhos de ambientação que já vimos na franquia.

Gameplay e estrutura

Quem estava preocupado com a possibilidade de a The Coalition mudar completamente Gears pode ficar tranquilo.

E-Day ainda é Gears of War. Existe aquela sensação familiar de avançar pelas fases, encontrar uma área maior, perceber imediatamente que alguma coisa vai acontecer e começar outro combate. É uma fórmula conhecida? Com certeza, mas ela ainda funciona.

A diferença está principalmente na escala e na apresentação. Os confrontos conseguem parecer maiores e o cenário participa muito mais das situações do que nos jogos antigos. A estrutura também consegue variar bastante os ambientes sem abandonar o formato linear.

Para mim, foi a escolha certa. Nem todo jogo precisa ter um mapa gigantesco lotado de ícones. E-Day prefere controlar o ritmo da campanha e usar Kalona para criar situações mais cinematográficas e momentos de impacto.

Gráficos

Gears of War: E-Day é simplesmente lindo. Não tem muita enrolação aqui.

É facilmente um dos trabalhos mais impressionantes que já vi utilizando Unreal Engine 5 e entra, para mim, naquele grupo de jogos que realmente conseguem mostrar o potencial da tecnologia, ao lado de títulos como Senua’s Saga: Hellblade II e Black Myth: Wukong.

A própria The Coalition reconstruiu praticamente toda a base tecnológica de Gears para E-Day usando Unreal Engine 5, incluindo personagens, inimigos, armas, animações, som e cenários. E dá para perceber.

A quantidade de detalhes nos cenários impressiona. Existem objetos sendo destruídos durante os combates, partículas por todos os lados, iluminação extremamente bem trabalhada e algumas sequências de destruição em larga escala que me lembraram Battlefield. Só que dentro de Gears.

É especialmente impressionante quando tudo começa a acontecer ao mesmo tempo. Prédios desabando, fumaça tomando conta do cenário, luzes piscando, inimigos aparecendo e dezenas de pequenos elementos reagindo ao que está acontecendo.

Em vários momentos eu simplesmente parei para observar o cenário. A iluminação também merece destaque. E-Day utiliza recursos lumens da Unreal Engine 5 para entregar ambientes muito mais realistas e densos, especialmente em locais fechados ou durante sequências noturnas. É aquele tipo de jogo no qual uma simples luz piscando em um corredor consegue transformar completamente a atmosfera.

E como Gears of War: E-Day roda no Xbox Series S?

Esse provavelmente era um dos pontos que eu mais queria descobrir antes de jogar. Afinal, estamos falando de um dos jogos visualmente mais ambiciosos da geração rodando no Xbox Series S, console consideravelmente menos potente que o Series X.

E aqui a The Coalition mostrou novamente que conhece muito bem o hardware da Xbox. Joguei toda a campanha no Series S priorizando a qualidade visual e fiquei realmente impressionado com o resultado.

O jogo consegue entregar cenários extremamente detalhados, excelente iluminação, grande quantidade de partículas e sequências enormes de destruição sem transformar o Series S em uma versão completamente descaracterizada do jogo.

Durante boa parte da campanha, a experiência foi bastante estável, mas não significa que seja perfeita… No Ato 3 encontrei as maiores quedas de desempenho da minha jogatina. Algumas sequências mais pesadas claramente fizeram o console sofrer um pouco mais e foram os momentos em que percebi as quedas de frames com maior facilidade.

Mesmo assim, nada chegou ao ponto de me impedir de avançar ou estragar a experiência. E considerando o nível visual apresentado, fiquei bastante satisfeito.

Talvez essa seja justamente uma das maiores surpresas de E-Day para mim: olhar para determinadas cenas rodando em um Series S e pensar que aquele pequeno console realmente está entregando aquilo. A The Coalition fez um trabalho excelente.

O retorno que Gears precisava?

Para mim, sim! Gears of War: E-Day consegue fazer algo que parecia simples no papel, mas que poderia dar muito errado: voltar ao passado sem depender exclusivamente de nostalgia.

Marcus e Dom obviamente carregam boa parte dessa conexão com os fãs antigos, mas Kalona, o Esquadrão Bravo e a própria escala do Dia da Emergência dão ao jogo identidade suficiente para que ele não pareça apenas uma tentativa de repetir os primeiros títulos. Ele ainda é linear, ainda é pesado, ainda tem aquela estrutura clássica de Gears e talvez seja justamente por isso que funciona tão bem.

A The Coalition não tentou transformar Gears em outra coisa, ela simplesmente tentou fazer um ótimo Gears e conseguiu!

Veredito

Gears of War: E-Day é o melhor Gears que joguei desde Gears of War 3. É provavelmente a maneira mais simples de resumir o que senti durante a campanha. A história funciona, Marcus e Dom continuam sendo personagens excelentes, Kalona é uma das melhores ambientações que a franquia já teve e visualmente estamos diante de um dos jogos mais impressionantes feitos na Unreal Engine 5.

No Xbox Series S, minha experiência também foi melhor do que esperava. Existem quedas de desempenho, principalmente durante algumas sequências do Ato 3, mas considerando a escala e a qualidade visual apresentada, o resultado é impressionante.

É um jogo que consegue conversar com quem acompanha Gears desde sempre, mas também funciona muito bem como porta de entrada para quem nunca jogou a franquia justamente por contar o começo de tudo.

Gears of War: E-Day será lançado oficialmente em 6 de outubro de 2026 para Xbox Series X|S e PC, chegando no primeiro dia ao Game Pass Ultimate e PC Game Pass.

Para fãs, é um retorno que valeu a espera, para quem nunca jogou Gears, dificilmente existiria momento melhor para começar. Gears of War: E-Day tem aquilo que durante muitos anos definiu a marca Xbox. É grande, pesado, cinematográfico e feito para ser jogado com um controle na mão e a TV no volume alto.

Isso aqui é DNA Xbox. Como deve ser.