Final Fantasy Resonance Review: nostalgia ou decepção?
Final Fantasy Resonance resgata a magia dos RPGs clássicos em HD-2D. Confira nossa review sobre história, combate, exploração e se vale a pena joga

Final Fantasy Resonance está entre nós! E, se você é um jogador que está caindo de paraquedas nesse game, vou deixar aqui um breve contexto.
Final Fantasy Resonance é uma adaptação de Final Fantasy Brave Exvius, um jogo mobile. E a gente já sabe que esses jogos têm uma data de validade, né? Mas a parte interessante é que a Square Enix está nessa onda de adaptar seus jogos mobile para experiências single-player tradicionais. Ela já fez isso com alguns títulos, e Final Fantasy Brave Exvius entra nessa lista.
Estamos falando de uma adaptação em HD-2D, com começo, meio e fim, que adapta a primeira temporada do jogo mobile.
Final Fantasy Resonance vem com o intuito de trazer essa adaptação como uma experiência clássica de Final Fantasy. Então, vou deixar aqui minha breve review para discutir onde esse game acerta e onde ele erra.
História e Narrativa

Eu tenho que me adiantar aqui: Final Fantasy Resonance tem uma das melhores narrativas da série. O que esse jogo faz é trazer uma experiência clássica de Final Fantasy em pleno 2026.
O tempo todo, me senti jogando um game dos anos 90, mas com toda a qualidade de vida de um jogo atual. O game traz de volta a saga dos Cristais, uma party com oito personagens, combate por turnos, encontros aleatórios (random encounters), uma airship para explorar o mundo e muito mais! Esse jogo carrega o espírito de um Final Fantasy clássico, algo que não acontece desde Final Fantasy VI.
Dando uma breve sinopse, a história de Resonance se passa no reino de Lapis e é protagonizada por Rain e Lasswell, dois grandes cavaleiros desse reino. Logo no começo do game, temos como objetivo investigar uma ameaça aos Cristais do reino. É aí que nossa história começa: uma grande ameaça conhecida como Umbra quer destruir os Cristais, o que resultaria na destruição do mundo. Então, nossa jornada se resume a encontrar aliados pelo mundo e conter essa grande ameaça.
No decorrer do jogo, fui me apegando e criando um grande carinho pelos personagens. Fiquei impressionado com a forma como eles foram bem escritos, e isso vale para todos os integrantes da party. Cada um tem sua própria trama e uma personalidade muito única. O jogo faz um trabalho muito bom em criar uma sinergia entre esses personagens. As interações entre eles funcionam muito bem, o que dá ainda mais carisma ao jogo.
E Final Fantasy Resonance traz uma trama muito boa, que subverte alguns padrões. A forma como os antagonistas são escritos me surpreendeu e prendeu meu interesse. É muito fácil simpatizar com esses personagens.
Final Fantasy Resonance vai muito além de contar uma história entre o bem e o mal. Aqui, o game mostra que as coisas não são pretas ou brancas, mas sim vários tons de cinza. Ele nos desafia a refletir sobre por que devemos continuar lutando, aceitar os fardos da vida e até mesmo sobre o niilismo que existe nela. É uma história muito bem contada e que prendeu meu interesse do começo ao fim.
No final, fiquei com aquele sentimento de: “Ok, isso é muito uma história de Final Fantasy!”. Tive a sensação de já saber o que esperar da reta final, e foi exatamente o que aconteceu. O jogo não foge muito dessa fórmula. Digamos que ele é o arroz com feijão de Final Fantasy, mas é um arroz com feijão muito saboroso, daqueles que a gente não comia há algum tempo.
Gameplay e combate

Se tem algo que me surpreendeu em Resonance foi seu sistema de combate. O jogo traz de volta o clássico combate por turnos, algo que a gente não via há bastante tempo. E o grande diferencial aqui são os Visions.
Imagine os Visions como se fossem Pokémon que você encontra pelo mundo e evolui para lutar ao seu lado. Só que, nesse caso, os Pokémon são protagonistas da série Final Fantasy! O jogo possui protagonistas que vão desde Final Fantasy I até Final Fantasy XVI.
Tá, mas como isso funciona em combate?
Os Visions possuem dois tipos de progressão: o nível de Ascensão e o nível de Maestria.
O nível de Ascensão possui três níveis que você pode desbloquear, cada um liberando habilidades clássicas dos personagens correspondentes a cada jogo.
Já o nível de Maestria é onde está o núcleo da progressão dos personagens. Digo isso porque ele pode chegar até o nível 9, concedendo habilidades ativas e passivas que o jogador pode adquirir permanentemente para seus personagens. Ou seja, quanto maior for o número de Visions que você evoluir, maiores serão as possibilidades de builds que poderá utilizar.
A única coisa que me incomodou um pouco é que os Visions demoram um pouco para chegar ao nível máximo. Por exemplo, o Vision da terra tem uma habilidade de quebrar o limite de 9.999, que só é liberada no nível máximo dele. O problema é que, se eu quiser usar essa skill com todos os membros da party, vou ter que upar cada um até o nível máximo para obter essa habilidade passiva.
Mas, no geral, o sistema de combate é extremamente divertido! Uma das coisas de que gostei em Resonance foi como utilizar buffs e debuffs é realmente útil durante as batalhas. Isso torna os confrontos muito mais interessantes e dinâmicos.
Outro detalhe interessante do combate é a barra de Stagger. O que Final Fantasy Resonance exige de você é quebrar a barra de postura dos inimigos para só então conseguir causar mais dano. Existem várias formas de fazer isso, principalmente utilizando dano elemental, que é algo muito importante nesse game.
Também existem diversas habilidades passivas que aumentam esse multiplicador de dano. E toda vez que o jogador quebra a postura de um inimigo, ele ganha um turno extra. Caso consiga quebrar a postura de todos os inimigos, todos os seus personagens recebem um turno adicional e ainda desbloqueiam o ataque especial do seu Vision.
Esse ataque acontece em uma cutscene pré-renderizada, mostrando toda a animação do golpe especial do Vision.
Eu particularmente adorei a implementação dos Visions nesse game. O combate foi a parte de Final Fantasy Resonance de que mais gostei e que mais me cativou. O jogo trouxe de volta aquele espírito clássico, mas também implementou muitas novidades, dando um respiro muito interessante para a experiência.
Level design e direção artística

Eu posso dizer facilmente que Final Fantasy Resonance é um dos games mais bonitos no formato HD-2D. Fiquei encantado com a direção de arte que o game possui e com a variedade de cenários. O jogo é lindíssimo em praticamente todos os aspectos artísticos.
Por mais que ele ainda seja uma mistura de elementos 3D com filtros de pixel art e cutscenes pré-renderizadas, eu gosto bastante de como todas essas coisas estão implementadas no game de uma forma que faz sentido.
A exploração funciona de maneira muito parecida com a de um Final Fantasy clássico. O jogador tem acesso limitado ao mundo e, aos poucos, vamos desbloqueando novas formas de explorar todo o mundinho de Lapis.
Durante a exploração, o jogador acaba encontrando cavernas que podem conter um chefe ou um Vision. Só tem uma coisa que me causa estranheza: para obter os Visions, o jogador só precisa entrar na caverna e encontrá-los. Não existe nenhum desafio para conseguir isso.
Não que seja algo necessariamente ruim, mas é um pouco estranho entrar em uma caverna e simplesmente encontrar um Noctis, de Final Fantasy XV, esperando por você.
Talvez fosse mais interessante criar alguma mecânica ou desafio específico para obtê-los, assim como acontece com os Espers.
Agora, falando sobre a exploração das dungeons, também achei tudo muito simples, principalmente quando comparado a outros Final Fantasy. Teve dungeon que terminei encontrando apenas três batalhas. Acho que poderia ter existido um pouco mais de cuidado na construção das dungeons principais.
Agora, uma coisa que adorei na exploração do mundo foram as side quests. Fiquei muito impressionado com a qualidade das missões aqui. Elas são muito interessantes e agregam bastante à história, principalmente quando envolvem os membros da sua party.
Esse foi um aspecto de que gostei muito e que acabou me surpreendendo positivamente.
Mas, afinal, vale a pena?

Uma coisa de que me lembro sobre a campanha de Final Fantasy XV é que ele foi apresentado como um jogo tanto para veteranos quanto para novatos. Mas eu gostaria de atribuir esse mesmo título a Final Fantasy Resonance.
Para quem é fã da série clássica, esse game é uma pérola inigualável. Nenhum outro Final Fantasy atual consegue trazer esse sentimento da mesma forma que Resonance. Ele resgata toda a nostalgia da série clássica em um jogo moderno e visualmente lindo.
E quem é novo nesse mundinho de Final Fantasy também não fica de fora! O jogo é extremamente acessível e conta com vários recursos de qualidade de vida que facilitam bastante a experiência de quem acha os games antigos um pouco travados. É uma ótima porta de entrada para o universo de Final Fantasy.
A realidade é que Final Fantasy Resonance é excelente em quase tudo o que se propõe a fazer. A história é muito bem escrita, sua party é carismática e interessante, o sistema de combate é um dos melhores que já joguei, e tanto a dublagem quanto a trilha sonora são coisas de outro mundo.
Meu veredito é: se você é fã da franquia, não tem erro! E, para quem ainda não está familiarizado com a série Final Fantasy, esse game é uma excelente porta de entrada.
“Final Fantasy Resonance é uma lembrança de por que a gente se apaixonou por Final Fantasy em primeiro lugar.”