Just Dance: Decades of Hits | PS5
Just Dance: Decades of Hits diverte no PS5 com clássicos e novo modo aventura, mas falta inovação

Just Dance: Decades of Hits aposta na nostalgia, reúne grandes sucessos de diferentes gerações e apresenta um modo aventura inédito. Mas será que essas novidades são suficientes para justificar mais uma edição da franquia? Confira nossa análise no PS5.
Poucas franquias conseguem transformar uma simples reunião entre amigos em uma verdadeira festa como Just Dance. Desde sua estreia, em 2009, a série da Ubisoft conquistou espaço entre jogadores casuais e famílias, apostando em uma fórmula bastante acessível: escolher uma música, acompanhar os movimentos apresentados na tela e tentar alcançar a maior pontuação possível. O conceito continua funcionando muito bem, embora a falta de grandes mudanças tenha se tornado cada vez mais evidente nos últimos lançamentos.
Com Just Dance: Decades of Hits, a Ubisoft decidiu explorar um dos maiores atrativos da música: a nostalgia. A proposta desta vez é reunir sucessos de diferentes gerações, passando pelos anos 1970 até chegar aos hits da década de 2020. Além de um repertório diversificado, o título apresenta um novo modo aventura, que procura oferecer algo diferente da tradicional seleção de músicas.
Entretanto, apesar das boas ideias, a sensação é de que a franquia ainda está confortável demais com sua própria fórmula. O resultado é um jogo divertido, especialmente quando compartilhado com outras pessoas, mas que poderia ter aproveitado melhor o potencial de sua proposta.
Uma viagem musical pelo tempo

A principal novidade de Just Dance: Decades of Hits é seu Modo Aventura, uma tentativa interessante de transformar as tradicionais sessões de dança em uma experiência com progressão e narrativa. Embora a história seja bastante simples, ela oferece um objetivo para quem deseja explorar o repertório sem ficar apenas escolhendo músicas no menu principal.
A trama acompanha Lyra, filha do cientista Dr. Gigavolt, que acaba envolvido em um experimento de viagem temporal. Para encontrá-lo, a jovem precisa atravessar diferentes décadas, enfrentando desafios musicais e recuperando elementos necessários para avançar em sua jornada.
Durante a aventura, o jogador visita seis mundos inspirados em períodos históricos distintos, cada um apresentando cenários, personagens e referências culturais próprias. A ambientação procura representar as características de cada geração, passando pelas cores extravagantes dos anos 1970 até elementos mais modernos dos anos 2020.
O interessante é que a Ubisoft não se limitou a organizar as músicas cronologicamente. Entre uma apresentação e outra, existem pequenas atividades e questionários relacionados aos costumes, às tecnologias e às tendências de cada época. São desafios simples, mas ajudam a diversificar a experiência e oferecem uma pausa bem-vinda entre as coreografias.
Conforme os objetivos são concluídos, novas etapas e recompensas ficam disponíveis, incentivando a exploração dos diferentes períodos. A estrutura também faz com que músicas que talvez fossem ignoradas no modo tradicional ganhem uma oportunidade de conquistar o jogador.
Apesar disso, não espere uma campanha particularmente elaborada. A narrativa funciona principalmente como justificativa para as apresentações musicais, enquanto os desafios oferecem pouca dificuldade durante boa parte da progressão. Ainda assim, é uma adição positiva e representa um caminho interessante para o futuro da franquia.
Uma seleção musical que atravessa gerações
Como não poderia ser diferente, o principal atrativo de Just Dance: Decades of Hits continua sendo sua trilha sonora. Nesta edição, a Ubisoft reuniu 35 músicas distribuídas por seis décadas, apostando em artistas conhecidos e sucessos capazes de despertar lembranças em públicos de diferentes idades.
Entre os destaques estão Mamma Mia, do ABBA, Uptown Girl, de Billy Joel, Wannabe, das Spice Girls, Stronger, de Britney Spears, e Bye Bye Bye, do NSYNC. O repertório também apresenta músicas como Feel Good Inc., do Gorillaz, Turn Down for What, de DJ Snake e Lil Jon, e sucessos recentes de artistas como Sabrina Carpenter, Chappell Roan e Bad Bunny.
A diversidade é um dos grandes acertos da edição. É interessante perceber como o jogo consegue reunir estilos musicais tão diferentes em uma mesma experiência, criando oportunidades para que pessoas de várias gerações encontrem músicas familiares. Essa característica funciona especialmente bem nas partidas em grupo, quando cada participante pode ter sua própria preferência musical.
As coreografias acompanham essa proposta, utilizando movimentos que procuram combinar com a personalidade de cada canção. Algumas apresentações são mais descontraídas, enquanto outras apostam em sequências rápidas e exigem maior coordenação. A direção artística também contribui bastante para a experiência, fazendo com que determinadas músicas pareçam pequenos espetáculos independentes.
Entretanto, nem todas as escolhas conseguem alcançar o mesmo nível de criatividade. Algumas coreografias acabam sendo mais simples do que poderiam, especialmente para quem já acompanha Just Dance há bastante tempo. A predominância de apresentações acessíveis é positiva para iniciantes, mas deixa uma lacuna para jogadores que procuram desafios realmente exigentes.
Também fica a impressão de que o conceito poderia ter sido explorado de maneira ainda mais ambiciosa. A história da música oferece possibilidades praticamente infinitas, e alguns nomes importantes ficaram de fora. Mesmo com essas ausências, o repertório continua sendo um dos pontos mais fortes do jogo.
Jogabilidade no PS5: divertida, mas com limitações
Em termos de jogabilidade, Just Dance: Decades of Hits mantém praticamente tudo aquilo que os fãs conhecem. O objetivo continua sendo acompanhar os movimentos dos dançarinos apresentados na tela, reproduzindo as coreografias para conquistar pontos e alcançar classificações melhores.
A mecânica é extremamente simples de compreender. Mesmo quem nunca jogou um título da franquia consegue participar sem grandes dificuldades, tornando a experiência especialmente convidativa para reuniões familiares ou sessões com amigos.

No PlayStation 5 / Xbox, entretanto, existe uma particularidade importante: é necessário utilizar um smartphone com o aplicativo Just Dance Controller para registrar os movimentos. O DualSense serve para navegar pelos menus, mas não substitui o celular durante as coreografias.
O aplicativo oferece a possibilidade de segurar o aparelho durante as apresentações, utilizando seus sensores para acompanhar os movimentos. Também existe o modo de captura por câmera, que permite registrar os movimentos corporais sem precisar manter o smartphone nas mãos, embora essa opção seja limitada a um participante por vez.
A alternativa por câmera é interessante, principalmente por oferecer maior liberdade física. Porém, o reconhecimento de movimentos ainda não representa uma solução perfeita para quem procura precisão competitiva. A pontuação pode depender bastante da maneira como os gestos são interpretados, e isso fica mais evidente quando o objetivo deixa de ser apenas dançar e passa a ser conquistar resultados elevados.
O título também mantém opções como o Modo Party e o Modo de Exercício, oferecendo diferentes maneiras de aproveitar as coreografias. O primeiro é especialmente interessante em grupo, utilizando desafios e situações inesperadas para tornar as partidas mais animadas. Já o segundo é uma alternativa para quem pretende combinar entretenimento e atividade física.
O problema é que essas funcionalidades já estavam presentes em edições anteriores. Portanto, embora continuem sendo boas opções, não representam uma evolução significativa para quem acompanha a série anualmente.
Apresentação visual e identidade artística

Visualmente, Just Dance: Decades of Hits mantém a identidade vibrante que tornou a franquia reconhecível. As apresentações utilizam figurinos extravagantes, cenários coloridos, efeitos visuais e personagens bastante expressivos, criando um espetáculo que combina perfeitamente com a proposta descontraída do jogo.
A organização temática das décadas também ajuda a estabelecer uma identidade mais consistente para esta edição. Em vez de depender exclusivamente de músicas populares, o jogo consegue conectar parte de sua apresentação audiovisual ao conceito de viajar pelo tempo.
Por outro lado, os menus e a estrutura geral continuam bastante familiares. A biblioteca compartilhada com outras edições é prática para quem possui músicas de jogos anteriores, mas a mistura de conteúdos adquiridos com aqueles disponíveis por meio de compras adicionais e do serviço Just Dance+ pode deixar a navegação confusa.
Essa integração é útil, especialmente para quem já investiu bastante na franquia, mas também reforça a sensação de estar diante de uma expansão de conteúdo dentro de uma mesma plataforma, e não necessariamente de uma experiência completamente nova.
Uma franquia que precisa encontrar novos passos
O maior problema de Just Dance: Decades of Hits não está necessariamente na qualidade de suas músicas ou na diversão proporcionada pelas coreografias. Nesse aspecto, o jogo continua entregando aquilo que se propõe a fazer.
A questão é que a Ubisoft parece encontrar dificuldades para oferecer novidades capazes de justificar lançamentos frequentes. O Modo Aventura é uma iniciativa bem-vinda, mas sua estrutura simples não consegue sustentar sozinho a sensação de renovação.
Também existe a questão do custo-benefício. Quem já possui edições recentes encontrará uma estrutura bastante semelhante, com o repertório musical e a campanha funcionando como os principais diferenciais. Para esse público, a compra dependerá principalmente do interesse pelas novas músicas.
Por outro lado, quem está chegando agora à franquia encontrará uma experiência bastante completa, acessível e capaz de proporcionar muitas horas de entretenimento. Just Dance continua sendo um daqueles jogos que funcionam melhor quando deixam de ser uma competição individual e passam a ser uma atividade compartilhada.
Afinal, Just Dance: Decades of Hits vale a pena?
Just Dance: Decades of Hits é um bom jogo, mas está longe de representar a evolução que a franquia poderia alcançar. A Ubisoft acertou ao construir uma edição em torno de diferentes décadas musicais, oferecendo um repertório diversificado e uma identidade temática que combina muito bem com a proposta.
O Modo Aventura é outra adição interessante, especialmente por incentivar os jogadores a conhecerem músicas fora de suas preferências habituais. Mesmo sem apresentar grande profundidade, consegue oferecer uma motivação adicional para continuar dançando.
Entretanto, as limitações na leitura de movimentos, a dependência do smartphone no PS5 e a falta de mudanças mais expressivas impedem que a experiência alcance um patamar superior. Para quem acompanha os lançamentos da série, fica evidente que a Ubisoft ainda precisa encontrar maneiras mais ousadas de renovar sua principal franquia musical.
No final das contas, Just Dance: Decades of Hits continua sendo uma ótima opção para reunir amigos, aproveitar músicas conhecidas e transformar a sala de casa em uma pista de dança improvisada. A diversão permanece presente, mas a nostalgia, por melhor que seja, não consegue esconder completamente a falta de inovação.
É uma edição que merece atenção pelo repertório e pelo carisma, mas que também mostra como a franquia precisa de novos passos para voltar a surpreender.